Alexandre enterra estudo para baixar tarifa de ônibus


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O assessor legislativo Edvaldo Costa (de calça jeans) questionou manifestantes pela presença na tarde de ontem na Prefeitura: ‘Vocês escolheram apoiar a CEI na Câmara’
O assessor legislativo Edvaldo Costa (de calça jeans) questionou manifestantes pela presença na tarde de ontem na Prefeitura: ‘Vocês escolheram apoiar a CEI na Câmara’

Quem tem esperança de ver a tarifa do transporte público francano reduzida o mais breve possível deve esperar sentado. O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) deu fim à comissão - formada por Prefeitura, líderes de partidos, integrantes do movimento Vem Pra Rua e a empresa São José - montada para estudar a redução do preço da tarifa de ônibus. Anunciou ontem, através de sua assessoria de imprensa, que a tarifa está congelada em R$ 2,80 até o fim da CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta pela Câmara, que terá duração de 120 dias. A decisão do prefeito foi criticada por manifestantes e até vereadores da base governista. A medida foi classificada como “revanchismo” e “retaliação”, já que o líder do prefeito na Câmara, Adérmis Marini (PSDB), perdeu a votação que escolheu o presidente da CEI.

A Comissão, proposta pelo vereador Luiz Vergara (PSB) para investigar o contrato firmado entre a Prefeitura e a São José, foi aprovada na sessão de terça-feira (leia texto na Página A-3). Na tarde do mesmo dia, o prefeito anunciou, em nota à imprensa, que a comissão de estudo estava encerrada. O argumento do governo municipal foi de que “a partir da composição da comissão legislativa, a Prefeitura entende que não há necessidade de existirem duas comissões, nos dois poderes, analisando o mesmo tema”.

A reunião que estava marcada entre os componentes da comissão para as 14 horas de ontem, no gabinete de Alexandre, também foi cancelada. Integrantes do Vem Pra Rua, porém, disseram não terem sido avisados e compareceram ao Paço Municipal. “O prefeito, de forma autoritária e revanchista, fecha as portas de seu gabinete na cara dos representantes do povo”, afirmaram os manifestantes em nota à imprensa.

‘FUROU’
Doze pessoas esperavam, no horário marcado na tarde de ontem, em frente à entrada do bloco que abriga o gabinete de Alexandre. “Não houve nenhuma nota oficial da Prefeitura. A única coisa que ficamos sabendo é que a comissão de estudo foi cancelada”, reclamou a estudante de direito Ana Carolina Colombaroli, 22. Na pauta da reunião, estava a apresentação das planilhas de custos do transporte público na cidade - prometida pelo prefeito na primeira e única reunião do grupo, realizada na sexta-feira passada.

Quatro guardas civis vigiaram o grupo de perto para evitar uma possível invasão, mas não puderam impedir os gritos de “Furão” e “Ô, Alexandre, pra que ter medo? Nós já sabemos seu segredo”. O protesto foi curto e pacífico.

O assessor legislativo da Prefeitura, Edvaldo Costa, foi conversar com o grupo e questionou a presença dos manifestantes. “Não há motivo para vocês estarem aqui. Vocês escolheram apoiar a CEI na Câmara ontem [terça-feira]”, disse o assessor. “É que lá as coisas funcionam”, retrucou um manifestante. “Então vocês não precisam conversar aqui”, respondeu Costa.

Uma carta foi protocolada com destino a Alexandre Ferreira. Nela, o Vem Pra Rua destaca cinco reivindicações: redução da tarifa; abertura das contas da São José; que o Executivo colabore com a CEI; a municipalização do transporte público; e a implementação da tarifa zero futuramente.

‘REVANCHE’
Segundo os 12 integrantes do movimento Vem Pra Rua, o fechamento da comissão de estudo seria uma “revanche” à CEI aprovada na Câmara. “Cabe salientar que, no estado democrático de direito, os três poderes são harmônicos e independentes. Nada obsta que, com a abertura da CEI, continuem os trabalhos da comissão”, cita a nota do grupo.

O Comércio ouviu cinco líderes de partidos na tarde de ontem. Todos concordam que os dois processos, de estudo e investigação, poderiam ser tocados simultaneamente. Valéria Marson (PSDB), entretanto, foi a única que mostrou-se simpática à decisão de Alexandre.

Os vereadores Laercinho (PP), Zezinho Cabeleireiro (PPS) e Luiz Vergara (PSB) - presidente da CEI - e o presidente do PTB, César Mamede, concordaram que o encerramento da comissão de estudo atrasa uma possível redução da tarifa. Vergara e Mamede endossam a opinião dos manifestantes e consideram a decisão do prefeito uma “retaliação”.

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