Endividamento!


| Tempo de leitura: 2 min

A televisão está mostrando a todo instante e convidando você a pedir um novo cartão de crédito patrocinado pelo governo. Caso tenha adquirido um imóvel pelo programa ‘Minha Casa; Minha Vida’, você tem direito a uma linha de crédito até o valor de R$ 5 mil, na forma de um cartão (de crédito), para aquisição de eletrodomésticos, supostamente para a ‘nova casa’. No mesmo diapasão, os bancos oficiais estão facilitando, já há tempos, a concessão de linhas de crédito para quem se habilitar.

No entanto, nuvens negras estão se formando no horizonte. Dois fenômenos interligados estão, de novo, mostrando a cara na economia: o endividamento e a inadimplência. Chefes de família estão tomando novos empréstimos para tentar regularizar a situação de descontrole financeiro na qual estão envolvidos.

Traduzindo, a situação está ruim, com as dívidas aumentando, a perspectiva de insolvência surgindo e a solução imediata e mais à mão é apelar para um novo empréstimo, para ‘safar a onça’.

Valendo-se do potencial e da força do mercado doméstico, o governo vem tentando promover o desenvolvimento via aumento da demanda interna.

E, a propósito, vale notar dois fatos relacionados: primeiro, o volume de crédito concedido no Brasil vem experimentando notável crescimento nos últimos 8 anos; segundo, pesquisas realizadas por um economista do Banco Nomura, do Japão, indicam que economias onde o crédito apresenta crescimento por volta de 30% do PIB em um período de 5 anos (regra do 5:30), acabaram sofrendo uma forte crise financeira.

Comprovações da tese encontram-se na própria economia japonesa (segunda metade dos anos 80); nos Estados Unidos (anos anteriores a 2007) e, agora, provavelmente, com a China.

Quanto ao Brasil, as agências de classificação de risco (S&P, Fitch) acabam de alertar sobre uma provável degradação da posição do país. Nesse terreno, como diz o velho ditado, ‘todo cuidado é pouco’.

O que temos em matéria de endividamento e inadimplência? As compras de veículos diminuíram 5,9% na comparação dos últimos 12 meses encerrados em abril.

Da mesma forma, as operações de crédito consignado aumentaram 20,8%, alguns pontos acima do incremento dos empréstimos, da ordem de 16,4%. Dados a respeito da inadimplência revelam tendência à estabilização, segundo indicadores da Serasa-Experian.

Quanto ao endividamento, a Confederação Nacional do Comércio-CNC informa que até o mês de maio último perto de 2/3 das famílias brasileiras com renda inferior a 10 salários mínimos estão enfrentando problemas, permitindo supor que a inadimplência - ao contrário da posição da Serasa - deve aumentar no futuro próximo.

As perspectivas não são nada positivas. Nem para o nível de atividade econômica nem para o emprego. O crédito facilitado e concedido não tem cumprido o papel que dele se esperava, enquanto a inflação se exacerba.

As famílias estão endividadas, a inadimplência deve aumentar, deixando claro que a adoção dessa política não tem resultado em crescimento da economia. É como se disséssemos: crédito (e inflação) demais para crescimento de menos.

Vicente de Paula Oliveira
Economista

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários