Gambá no galinheiro


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Há décadas, o francano questiona a questão do transporte público em nossa cidade. A cada licitação visando à concessão ou à permissão para operar o sistema, sempre ganha a Empresa São José. Nunca o município teve outra companhia, nem compartilhando o serviço com a detentora dos direitos. Mesmo com reportagens do Comércio denunciando irregularidades — a São José deixa de cumprir itens que foram determinados em contrato —, ninguém se levantou para exigir, de forma taxativa, o cumprimento de tudo. O que se percebe é que, no final das contas, o contribuinte francano acaba sendo o único prejudicado.

Pois agora o vereador Luiz Carlos Vergara (PSB) conseguiu a criação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar o contrato da Empresa São José com a Prefeitura. Depois de ouvir muitos discursos e sofrer tentativas em contrário, o vereador oposicionista conseguiu a presidência da Comissão, mas terá ao seu lado dois vereadores da base do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB): Adérmis Marini (PSDB, líder do governo no Legislativo) e Nirley de Souza (DEM). Mesmo com o comando da oposição, a maioria dos vereadores ainda é da situação, o que equivale dizer que entregaram a chave do galinheiro para o gambá tomar conta.

O mesmo ocorre na Câmara Municipal de São Paulo, onde a base aliada do prefeito Fernando Haddad (PT) domina a Comissão de Inquérito instalada para investigar o transporte coletivo na Capital. Com isso, esta maioria buscará irregularidades que possam envolver a CTPM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e o Metrô, ambos operados pela administração estadual do governador tucano Geraldo Alckmin, pré-candidato à reeleição e o maior obstáculo à vitória de um candidato petista no pleito de 2014. E busca-se jogar para debaixo do tapete os problemas do transporte por ônibus.

Em Franca, em que pese a sua boa vontade, Vergara terá que ter muita energia para conseguir impor uma pauta para investigar o contrato da São José a fundo, obrigando-a a cumprir cláusulas que hoje são simplesmente ignoradas. Ele dependerá da anuência dos dois membros que completam a CEI, ligados à administração municipal que já deixou claro não ter a intenção de fazer valer o contrato assinado pela empresa. Não pensasse assim, dificilmente teria tentado manobras para jogar Vergara e sua CEI para escanteio.

Só a partir do funcionamento efetivo da comissão teremos a certeza de que tudo correrá de acordo com os anseios da população. A expectativa é a de que os cidadãos mantenham acesa a chama da cobrança o que já se provou, surte efeitos positivos e surpreendentes.

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