O rolo compressor do governo municipal tentou todas as manobras possíveis para evitar que a CEI (Comissão Especial de Inquérito) proposta com a finalidade de investigar o contrato firmado entre a Prefeitura e a empresa São José fosse comandada pela oposição. A primeira tática foi pedir que vereadores da base aliada formassem uma comissão. As tentativas foram frustradas e prevaleceu a CEI da oposição. Depois, a meta foi evitar que Luiz Vergara (PSB) ocupasse a presidência. Mais uma derrota governista. Se não bastasse, integrantes do movimento Vem Pra Rua, que protesta pela redução do preço das passagens, anunciaram que vão acompanhar os depoimentos para garantir a lisura da apuração. Certeza de desgaste e mais dores de cabeça para o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) nos próximos meses.
O dia que prometia ser tenso, com os embates entre governistas e oposição, ganhou um capítulo extra de dramaticidade antes mesmo de a sessão começar, quando Marco Garcia (PPS) sentiu-se mal e foi socorrido com suspeita de infarto, quadro que foi descartado mais tarde.
ESTRATÉGIAS FURADAS
Como a CEI da São José foi uma exigência dos manifestantes que ocuparam as ruas de Franca e sua criação era praticamente inevitável, o prefeito articulou nos bastidores para tentar minimizar o impacto das investigações. Ao perceber que a oposição se movimentava para abrir uma comissão, Adérmis Marini (PSDB), líder do governo na Câmara, também apresentou um pedido com a mesma finalidade na manhã de segunda-feira. Luiz Vergara havia se antecipado em 40 minutos. Ontem foi a vez do também governista Zezinho Cabeleireiro (PPS) propor outra CEI.
A estratégia do governo não parou por aí. Além de apresentar duas propostas de CEIs caseiras, o grupo do prefeito agiu nos bastidores para convencer ao menos um dos cinco vereadores que aderiram à CEI do Vergara a retirar a assinatura. Com isso, a comissão “morreria”. O plano deu certo. Mas por alguns minutos. Claudinei da Rocha (PP) cedeu à pressão e desistiu de apoiar a CEI da oposição. Era tudo o que a situação queria.
Faltou combinar com os manifestantes que estavam no plenário e pressionavam pela aprovação da CEI da oposição. Josivaldo Bahia (PTB), que não havia assinado, resolveu ouvir a voz do povo e manifestou sua adesão, garantindo o número mínimo necessário para a aprovação. “Nunca pedi dinheiro de empresas para fazer minhas campanhas para não ter o rabo preso. Homem que lida com o povo tem que ter caráter e vergonha na cara.”
A assinatura de Bahia já era mais do que suficientes para a criação da CEI da oposição. Mas, logo depois, Claudinei da Rocha, voltou a mudar de opinião e deu novamente o seu apoio à Comissão. “A pressão foi forte.”
DEFINIÇÃO
Como havia três pedidos de criação de CEI, a sessão foi suspensa até que o Departamento Jurídico da Câmara avaliasse qual proposta iria prevalecer. Como o pedido de Vergara deu entrada primeiro, obteve a preferência. O impasse não estava resolvido.
Ao contrário do que, normalmente ocorre, o bloco governista não aceitou que o autor da proposta de criação da CEI fosse o presidente por aclamação. Uma eleição entre os membros - escolhidos por sorteio - foi feita e decidiu-se que Vergara irá mesmo presidir os trabalhos.
Por votos entre os intregrantes da CEI, ficou decidido que Nirley de Souza será o relator e Adérmis Marini, o terceiro membro. O grupo vai se reunir amanhã para definir o plano de ação.
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