“O professor acordou.” Na manhã de ontem, aproximadamente 300 professores e funcionários gritaram essas palavras ao fazer uma manifestação que foi do Centro até a Prefeitura por uma maior valorização da categoria. Os participantes fizeram cartazes e muito barulho com apitos e buzinas. Um carro de som e viaturas da Polícia Militar acompanharam o grupo. Não houve qualquer incidente durante o protesto, de acordo com a PM.
A concentração aconteceu das 8 às 9h30 na Praça Nossa Senhora da Conceição. Depois, os manifestantes fizeram uma passeata pelo Centro até a Secretaria Municipal de Educação, na avenida Champagnat. No local, foram recebidos pela secretária da pasta, Fabiana Sampaio, por volta das 10 horas. Ela se comprometeu a avaliar a pauta de reivindicações, que conta com 18 itens, entre eles, a equiparação do valor das aulas dos professores da PEB I e PEB II e a implantação de um plano de carreira (veja quadro nesta página). “Todas as pautas serão verificadas uma a uma, e vamos estudar junto com o prefeito a possibilidade [de atendê-las].”
Depois da Secretaria, os servidores rumaram para a Prefeitura, passando pelas avenidas Alonso y Alonso e Major Nicácio. Ao chegarem ao prédio, na Presidente Vargas, às 11h10, encontraram os portões fechados, por “motivos de segurança”, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura.
Pouco depois, cinco representantes do grupo puderam entrar no prédio para realizar uma audiência com os secretários de Recursos Humanos, Humberto Mazza, e de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli. O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) estava em reunião na Santa Casa. Assim como último dia 28, quando o prefeito se reuniu com os manifestantes, não foi permitido que a imprensa acompanhasse o encontro.
Ao final da reunião, Mazza explicou que vai analisar as reivindicações e repassá-las ao prefeito. “Algumas, como a equiparação, não tem como fazer. O concurso estabeleceu a regra do piso salarial de cada nível. Se eu fizer isso, estarei ferindo a regra do concurso e o artigo 37 da Constituição”, afirmou.
A organizadora do protesto, a professora da escola municipal “Florestan Fernandes”, Isilda Silva, se reuniu com os secretários e espera que a resposta do governo seja rápida. “Passamos todas as nossas reivindicações. Vamos marcar uma nova reunião, e pedimos que, dessa vez, o prefeito esteja presente. Mas deixamos bem claro que a tampa do caldeirão estourou. Enquanto não formos atendidos, não vamos parar. Se não houver nenhum acordo, as professoras querem fazer uma nova manifestação no primeiro dia de aula, em agosto”, explicou.
AULAS
De acordo com Isilda, as aulas não foram prejudicadas pelos protestos na parte da manhã. “Não atrapalhou, porque os pais estão sabendo da nossa insatisfação. Além disso, nem todos os professores estão aqui, e as provas já terminaram.”
Essa não é a opinião da secretária de Educação, Fabiana Sampaio. “As aulas foram interrompidas, porque o recesso dos professores só começa no dia 15.”
A Secretaria Municipal de Educação tem 2.372 funcionários.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.
