Em queda livre


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Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 29, pelo jornal ‘Folha de S. Paulo’, aponta que a popularidade da presidente Dilma Rousseff caiu de 57% para 30% nas últimas três semanas. Segundo o instituto de pesquisa, trata-se da maior queda de aprovação de um presidente aferida pelo Datafolha desde Fernando Collor em 1990. Antes dos protestos que se espalharam pelo País, 57% viam a gestão de Dilma Rousseff como boa ou ótima. O Datafolha constata ainda que a reprovação ao governo Dilma cresceu. O porcentual de brasileiros que consideram o governo ruim ou péssimo subiu de 9% para 25%. A deterioração das expectativas em relação à economia, segundo o jornal, também explica a queda da aprovação da presidente. A avaliação positiva da gestão econômica caiu de 49% para 27%.

De acordo com analistas, a queda decorre do momento de instabilidade da economia brasileira, com bolsas de valores em queda e dólar e inflação em alta, somado à onda de protestos que tomou conta do País nos últimos 15 dias. Porém, mais do que um reflexo das manifestações populares que levaram milhões de brasileiros às ruas, a queda na popularidade da presidente já vinha sendo registrada. Pibinho, inflação em alta e câmbio cada dia mais nervoso expôs o descontrole na condução da economia brasileira. Além disso, os números negativos também podem ser creditados à visibilidade que os protestos tiveram em todo o País. A gritaria contra o reajuste nas passagens de ônibus e a gastança para a realização da Copa do Mundo de 2014 despertaram o brasileiro da letargia. Hoje, tem-se a nítida impressão de que a fama de gerentona de Dilma Roussefffoi seriamente abalada.

Apenas três em cada dez brasileiros aprovam o atual governo. Em março, a aprovação chegava a 65%. Com isso, criou-se um cenário impensável três meses atrás: Dilma não conta mais com a quase unanimidade que lhe garantiria uma reeleição relativamente tranquila no ano que vem. Percebe-se, ainda, que vai ser difícil uma ‘virada’ na situação, a não ser que o crescimento econômico se reverta, o PIB surpreenda nos próximos meses e o índice inflacionário seja freado. Porém, os números recentes e as estimativas para os próximos meses apontam na direção contrária.

A reação tardia do Planalto diante dos protestos que agitavam todo o Brasil também é preponderante para a queda da popularidade da presidente. Embora esteja fazendo reuniões e defenda um plebiscito para chancelar uma reforma política, Dilma Rousseff deixou muito a desejar no início da onda de manifestações. Em pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, a chefe da Nação se limitou a condenar os atos de baderna e só dias depois respondeu à demanda oriunda das ruas. Mesmo assim, grande parte do inicialmente proposto já foi abandonado. E a população, hoje com uma ampla gama de fontes de informação (Internet, TV, rádio, jornais e revistas), não é mais facilmente ludibriada com promessas. Por isso, Dilma terá uma tarefa difícil nos próximos meses, tentando buscar a popularidade perdida, o que significa mostrar de forma prática e rápida que ouviu verdadeiramente o clamor do povo. Resta-nos ver o que ela fará.

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