Um Alexandre confuso


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O prefeito Alexandre Ferreira durante coletiva de imprensa convocada para o início da tarde do dia 25 de junho horas antes da população realizar mais um protestos pelas ruas de Franca
O prefeito Alexandre Ferreira durante coletiva de imprensa convocada para o início da tarde do dia 25 de junho horas antes da população realizar mais um protestos pelas ruas de Franca

Na última terça-feira, dia 25, três horas antes do início do segundo protesto pelas ruas da cidade, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) convocou uma entrevista coletiva para falar sobre o transporte coletivo da cidade. Mas ao contrário do que todos esperavam, seu discurso foi vago e praticamente sem novidades. Antes de responder às perguntas, Alexandre falou por cerca de 40 minutos. Boa parte do tempo utilizou para justificar o preço de R$ 2,80 cobrado pela Empresa São José.

Acompanhe na sequência o que o prefeito deixou de esclarecer durante a coletiva.


VIADUTO NOVO

O que é?
Durante as manifestações em Franca, uma das reivindicações feitas pelos manifestantes era que o prefeito deixasse de investir no novo viaduto da avenida Champagnat e direcionasse os R$ 20 milhões previstos para a obra para a saúde e educação. Também pediam uma investigação sobre os projetos da obra, anunciada pelo prefeito em março deste ano como uma prioridade do seu governo.

O que disse Alexandre?
Sem citar nomes, o prefeito afirmou que existe uma “exploração política” do viaduto da avenida Champagnat. Afirmou ainda que a Prefeitura está atrás de verbas para a obra junto aos governos estadual e federal. Ao falar sobre a reavaliação do projeto de construção, voltou a afirmar que existe “exploração política” do assunto. “A decisão de quando fazer, como fazer e se os projetos estão corretos será tomada quando tivermos o dinheiro para a obra. Assim evitamos falação e falatório político dessa coisa como a gente andou vendo por aí”.

O que Alexandre não disse?
O prefeito se esqueceu de dizer que quem anunciou a construção do novo viaduto foi ele mesmo, durante a inauguração do Viaduto Dona Quita, em março deste ano. Alexandre também deixou de explicar os motivos que levaram as pessoas a questionarem a obra da Champagnat, como o fato do projeto ter exatamente os mesmos erros, inclusive ortográficos, do projeto do Viaduto Dona Quita, que é alvo de investigação não só pelo Ministério Público bem como da Câmara Municipal. Não disse também que tem seu processo de estudo preliminar sob suspeita de favorecimento e de conter diversos vícios. O prefeito ainda deixou de esclarecer à população a respeito das irregularidades que vêm sendo apontadas pela CEI que investiga o Viaduto Dona Quita, como o fato de ele não ter um responsável técnico por seu projeto. Também não disse quem seriam os responsáveis pela “exploração política” que ele insistentemente afirma existir.


PEC 37 e a Expoagro

O que é?
A PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 37 previa a mudança na Constituição Federal, alterando os poderes do Ministério Público, que ficaria impedido de realizar investigações cri-minais. Estas passariam a ser de competência exclusiva das Polícias Civil e Federal. Nas ma-nifestações que ocorreram em todo Brasil, a população pediu a derrubada da proposta, que acabou rejeitada pelos deputados na última terça-feira.

O que disse Alexandre?
O prefeito iniciou seu discurso na coletiva agendada para tratar principalmente de assuntos relacionados ao transporte coletivo falando de um tema que nada tem a ver com o trânsito. Abriu dizendo que falaria sobre sua posição em relação à PEC 37, mas logo depois começou a analisar a falta de promotores de shows interessados na Expoagro 2013. Depois afirmou que apoiava a PEC, mas, ao explicar, usou expressões que deixaram clara sua posição contrária. Também se confundiu ao dizer que a PEC afetaria a fiscalização dos órgãos e agentes públicos. “Quanto mais instituições estiverem fiscalizando também será melhor para nós”. Em seguida, voltou a falar dos shows da Expoagro e anunciou a criação de um espaço público para os grandes eventos, mas não disse quando, onde e quanto vai custar aos cofres municipais.

O que Alexandre não disse?
O prefeito não informou que a PEC afetaria apenas as investigações criminais, que nada têm a ver com os inquéritos civis abertos pelo Ministério Público para investigar o cumprimento de leis incluindo a de licitações e acordos, como no caso da Expoagro. Também esqueceu de dizer que a principal reclamação dos promotores de evento em relação à festa deste ano foi com o prazo apertado com que a Prefeitura divulgou o edital para a concorrência e o preço cobrado. As exigências do Ministério Público para realização da festa até poderiam ser cumpridas, mas não havia tempo suficiente. O edital foi aberto quando restavam só 60 dias para a festa. O valor estipulado pela Prefeitura para o uso do Parque “Fernando Costa” foi de R$ 500 mil. Sem interessados, a Prefeitura teve que gastar dinheiro próprio para realizar a parte técnica, o que não acontecia há anos.


TRANSPORTE COLETIVO

O que é ?
Durante as duas últimas semanas, manifestações foram organizadas nas ruas de Franca para protestar principalmente contra o valor pago pelo transporte coletivo na cidade. A primeira delas chegou a reunir cerca de 15 mil pessoas. O principal pedido foi a redução no valor de R$ 2,80 cobrado pela passagem de ônibus. Os manifestantes também pediam a abertura das contas da Empresa São José, responsável pelo transporte público, e uma nova licitação.

O que disse Alexandre?
Apesar de ser a principal reivindicação dos manifestantes, foi o último item tratado por Alexandre na coletiva convocada na semana passada. O prefeito fez uma clara defesa dos valores praticados pela Empresa São José. Citou os aumentos nos custos da empresa com pneus (6,68%), com óleo diesel (15,13%) e até com salários (7%). Ainda falou sobre a diminuição da quantidade de passageiros de 2,09% e sobre a quantidade de gratuidades oferecidas em Franca. Também informou que um estudo preliminar feito pela Prefeitura mostrou que a São José não tem lucro. Além disso, anunciou o congelamento da tarifa em R$ 2,80, a criação de uma comissão para estudar uma eventual redução e a implantação de li- nhas intrabairros e de monitoramento eletrônico. Por fim, anunciou a criação de um “disque ônibus” para reclamações.

O que Alexandre não disse?
O prefeito não disse que Franca possui hoje uma das mais caras tarifas de ônibus do Brasil. Um levantamento feito pelo Comércio da Franca mostrou que o valor cobrado aqui é maior que o praticado em 20 capitais. Também não informou que desde 2009 a São José tem sido constantemente notificada por descumprir o contrato de exploração dos serviços de transporte assinado com a Prefeitura. Alexandre também deixou de informar qual seria o faturamento da São José e qual sua margem de lucro ou prejuízo. O prefeito não informou ainda que todas as condições específicas do transporte público da cidade, como as gratuidades, constavam do edital da licitação e, portanto, a São José estava ciente delas quando assumiu o transporte da cidade. Alexandre Ferreira também não explicou por quanto tempo vai durar o congelamento do preço da tarifa a R$ 2,80. Ele deixou de esclarecer ainda como será o estudo feito a respeito de uma possível redução. O prefeito também deixou de dizer que na época da campanha eleitoral já considerava “justa” a tarifa cobrada pela São José, a qual, na opinião dele, não tem como ser reduzida sem que outras áreas da Prefeitura sejam afetadas.


MOBILIDADE

O que é?
Por conta do crescimento desordenado e sem planejamento da cidade, alguns bairros têm seu acesso viário já estrangulado. Um dos exemplos claros de pontos problemáticos no trânsito é a região da rua Francisco Marques, uma importante via de ligação do município que não suporta mais o volume de tráfego de veículos para a região oeste da cidade. Há congestionamentos em diferentes pontos da via e o registro de acidentes é comum.

O que disse Alexandre?
Durante a coletiva de imprensa, o prefeito Alexandre Ferreira informou que está buscando recursos com os governos estadual e federal para viabilizar a mobilidade urbana em Franca. Falou que uma das ideias é criar grandes avenidas que liguem, por exemplo, a região do Residencial Meirelles a outros dois bairros. Também afirmou que pretende aumentar as ciclovias e instalar motovias, que são espaços exclusivos para o trânsito de motos.

O que Alexandre não disse?
O prefeito não informou detalhes de nenhum dos projetos, também não apresentou prazos, nem cronogramas para que sejam executados. Alexandre não detalhou quanto custarão os projetos e se existe ou não previsão orçamentária municipal para executá-los. Também não disse quais regiões serão beneficiadas. O tucano citou como exemplo apenas o Residencial Meirelles.

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