Menina de 9 anos tem diabetes e faz tratamento moderno e gratuito


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Lívia Imada Duarte, ao lado da mãe Suemy Duarte e da irmã Maria Clara mostra o aparelho que usa para controlar diabetes
Lívia Imada Duarte, ao lado da mãe Suemy Duarte e da irmã Maria Clara mostra o aparelho que usa para controlar diabetes

Tímida e curiosa, a pequena Lívia Imada Duarte, de 9 anos, não é diferente de outras garotas da sua idade. Pelo menos, não mais. Diabética, ela começou em 2012 um tratamento de saúde integralmente pago pelo governo que permite a ela ter uma vida mais próximo do normal.

Há pouco menos de dois anos, os pais de Lívia, o motorista Ricardo Duarte, 36, e a professora Suemy Duarte, 35, descobriram um tratamento diferenciado em São Paulo, disponível pelo SUS. Depois de oito meses de consultas com a endocrinopediatra Mônica Gabbay, do Centro de Diabetes Unifesp e de vários tratamentos testados pela médica, o método que se mostrou mais eficaz foi o da bomba de infusão de insulina. Para esse tratamento, um aparelho permanece ligado 24 horas à garota por meio de um cateter, injetando insulina. Outras doses são aplicadas antes das refeições para que a bomba compense com insulina a quantidade de açúcar presente nos alimentos que ela ingere. O aparelho é operado pelos pais de Lívia e por ela própria. “Se ela vai tomar café, fazemos a contagem de carboidratos que consumirá e contas determinadas pela médica. Com o resultado, mandamos a insulina correspondente ao que precisa”, afirma Ricardo.

Hoje, Lívia faz acompanhamento no Centro de Diabetes a cada três meses. Mas esse é o único distúrbio na sua rotina por causa do diabetes; o tratamento com a bomba permitiu que a sua vida melhorasse bem. Antes, a sua glicemia oscilava, num mesmo dia, de 50 a 200 mg/dL. Hoje, com o aparelho, ela se mantém mais estável, de 200 mg/dL para baixo, sendo que o ideal é 110 mg/dL, segundo o pai dela Ricardo.

“Apenas duas vezes, desde que a Lívia colocou a bomba, ela amanheceu com a glicemia muito baixa. Quando isso acontece, os braços e pernas dela ficam dormentes e ela não aguenta nem ficar em pé. Mas, antes da bomba, ela passava mal e tinha convulsão quase diariamente. Hoje, a rotina da minha filha é normal; ela pode fazer o que quiser e até comer o que quiser, desde que seja regrado e os carboidratos sejam contabilizados”, disse o pai.

Lívia aponta outra vantagem do aparelho. “Tomava muita picada de agulha e doía.” Ela tomava seis injeções de insulina ao dia; com a bomba, o número de picadas diminuiu para uma a cada quatro dias, para trocar o cateter.

Todo o tratamento - que inclui o aparelho de cerca de R$ 12 mil e os insumos, como a insulina e o cateter - é custeado pelo SUS. Por tudo isso, Ricardo considera o tratamento “uma maravilha”.

HISTÓRICO
Lívia foi diagnosticada com o diabetes tipo 1 [relacionado à falta de produção ou produção insuficiente de insulina] há quatro anos, quando ainda morava com a família no Japão. “No dia em que a Lívia ia completar cinco anos, ela amanheceu sem ânimo, e, à noite, vomitou escuro. Fomos para o hospital, e o médico percebeu que havia alguma coisa errada quando tirou o sangue dela. A glicemia [taxa de açúcar no sangue] dela estava muito alta, e foi assim que descobrimos [que ela tinha diabetes]”, disse Ricardo.

Por ser diabética, a garota possui um aumento anormal de glicemia no sangue, ou seja, a hiperglicemia. Se a condição não for controlada, pode causar cansaço, má circulação do sangue, feridas que demoram a cicatrizar e até perda de visão e distúrbios cardíacos e renais. O diabetes ocorre porque o pâncreas de Lívia não produz insulina, que é o hormônio que quebra da glicose para transformá-la em energia.

A família voltou para o Brasil e, até então, o tratamento de Lívia era convencional, usando um aparelho para medir a glicemia e outro - chamado caneta -para injetar insulina no organismo. Já no Brasil, o tratamento continuou o mesmo, mas a insulina que Lívia usava, fornecida pela rede pública, mudou. Então, a menina não se adaptou ao novo hormônio. Foi aí que Ricardo e Suemy foram buscar alternativas para ela.

DADOS
Dados do Ministério da Saúde de 2011, apontam que no Brasil, 5,6% da população é diabética. Levantamento da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo revela que uma pessoa morre a cada hora no Estado vítima de complicações do diabetes.

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