Mãe nega ‘alugar’ filhas e diz que adolescente denunciante é louca


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Acusação da adolescente de que sua mãe ‘alugava’ filhas para idosos molestarem é investigada pela DDM
Acusação da adolescente de que sua mãe ‘alugava’ filhas para idosos molestarem é investigada pela DDM

A mãe acusada pela filha adolescente de “alugar” as próprias filhas para uma dupla de idosos as molestarem, negou a acusação. A lavradora de 43 anos, mãe de dez filhos e moradora do Jardim Paulista, concedeu entrevista exclusiva ao Comércio na semana passada. Disse que a filha está mentindo e é louca, além de ser usuária de drogas. Afirmou ainda que se a adolescente se prostitui, teria começado depois que saiu de casa, há cerca de um ano. A denúncia contra a mãe foi feita pela jovem de 16 anos ao Conselho Tutelar, que remeteu o caso para DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) investigar.

Segundo a garota, ela era deixada pela mãe na casa dos “clientes”, nas proximidades da Vila Aparecida, onde era abusada sexualmente em troca de pequenas quantias em dinheiro (cerca de R$ 20). O montante serviria para sustentar o vício da mãe que, de acordo com as autoridades, é alcoólatra. Segundo a adolescente, que atualmente mora com uma colega no Jardim Brasilândia, os abusos começaram quando ela tinha 8 anos.

A delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio colheu depoimento de um dos idosos acusados, um homem de 82 anos. Ele confirmou que molestava a garota e que a mãe chegava a ameaçá-lo quando se recusava a ter os “serviços”. Graciela Ambrósio trabalha na localização do outro idoso acusado da mesma prática e disse que pretende indiciar a lavradora e os dois homens por crimes de pedofilia e favorecimento à prostituição infantil.

Na tarde da última terça-feira, 25, uma equipe de investigadores e duas conselheiras tutelares foram até a casa da família munida de uma intimação convocando a acusada a depor na DDM. A equipe não conseguiu falar com a mulher. Uma de suas filhas disse que ela estava fora de casa trabalhando. Na quinta-feira, 27, a reportagem do Comércio foi até a residência, onde a lavradora vive com outras nove pessoas. Mãe de dez filhos (seis mulheres e quatro homens), a mulher se disse surpresa com as acusações da filha. “Ela está mentindo, porque ela é louca. Minha filha toma remédios controlados. Estava na roça trabalhando [colhendo café] quando chegou uma notícia que tinha polícia na minha porta, com investigador, Conselho Tutelar e tudo. Eu assustei e pensei: o que está acontecendo?”, disse a mulher, sentada no sofá da casa de dois dormitórios alugada, rodeada por todos da família.

Em seu depoimento à polícia, o idoso identificado garante que a lavradora levou a filha adolescente até a sua casa várias vezes. Depois, passou a levar uma outra filha, também menor de idade, aparentando ter entre 12 e 15 anos. Em frente aos filhos, a mãe negou os abusos. “Não tenho coragem de fazer essas coisas. Tenho dez filhos, imagina que vou fazer isso. Nunca na vida. Se minha filha se prostitui, passou a fazer isso depois que saiu de casa [há cerca de um ano]. Ela rouba, fuma maconha e cheira droga. Pretendo interná-la”, disse a acusada, que até o momento permanece com a guarda de todos os filhos. Ela também negou problemas com alcoolismo.

Os outros filhos mais velhos disseram não entender porque a irmã “inventaria” uma história assim. Eles alegam que sempre tiveram problemas em controlar a garota que, desde cedo, “dava trabalho dentro de casa”. “Já tive que pagar fiança para tirar ela da cadeia e cheguei a assumir sua guarda, mas ela não se comporta. Agora mora entre putas e traficantes”, disse um dos filhos, de 23 anos, que ajuda a mãe na colheita e nas despesas da casa. A reportagem não encontrou a adolescente no endereço informado pela família, no Jardim Brasilândia, na tarde de sábado, para ela comentar o caso.

A conselheira tutelar Rilda Dias foi uma das primeiras pessoas para quem a adolescente de 16 anos contou sobre os abusos que teria sofrido. Rilda disse que a garota chorava muito ao relatar a história. “Ela demonstrou muito medo do que poderia acontecer”, disse Rilda, que conheceu a garota anos atrás, quando ela ainda pedia dinheiro na rua e os primeiros atendimentos foram registrados no Conselho Tutelar.

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