“Cozinhar é o que acontece entre a agricultura e a alimentação”
Michael Pollan
culinarista inglês
Em qualquer tipo de arte, tornam-se clássicas as manifestações que resistem ao tempo. Na culinária o bolo de cenoura com cobertura de chocolate já se tornou um clássico. Em casa onde há crianças, dificilmente haverá uma delas que não o tenha experimentado desde tenra idade. É que as mães sabem do valor deste legume riquíssimo em betacaroteno, elemento importante para a visão, a pele, as mucosas. Cenoura tem fósforo, potássio, cálcio, sódio, sais minerais. E quatro tipos de vitaminas: A, C, B2, B3. Se já não fosse bastante, ainda exibe a qualidade buscada por quem mede calorias: apenas 40 em cada 100 gramas. Só que crianças de todos os tempos nunca gostam de salada, suflê, refogado, sopa e outras elaborações onde entra a cenoura como ingrediente básico. Era necessário criar algum prato saboroso e atraente no qual o legume figurasse de forma disfarçada. Foi dentro desse contexto que apareceu o bolo de cenoura.
A receita, muito conhecida dos brasileiros, ganhou força com o surgimento do liquidificador, ou seja, por volta de 1931, quando o aparelho, com motor incorporado, fez o maior sucesso numa feira de eletrodomésticos nos Estados Unidos. Ainda era modelo pesado, mas já bem mais fácil de ser manejado que o anterior, próximo de uma grande batedeira. Acabava com os problemas de bater e misturar os mais diversos ingredientes na cozinha. E porque tornava muito mais fácil fazer um milk shake, mania americana, foi logo incorporado ao cotidiano de milhões e exportado para o mundo inteiro.
Transformar a consistência dos alimentos, triturar sólidos, homogeneizar pastosos, misturar líquidos e combinar diferentes texturas é o que faziam as lâminas do liquidificador, localizadas no fundo dos copos, girando a velocidades que variavam entre 800 e 1200 rotações por minuto. Um espanto! Assim, coisas que antes demoravam horas, graças ao liquidificador podiam ser liquidadas em poucos segundos. O bolo, até então trabalhoso, pois pedia que se ralasse a cenoura a ser acrescentada à massa, tornou-se facílimo de ser preparado.
A combinação da massa com calda de chocolate ficou perfeita, tanto pelo sabor, como pela aparência, mescla de amarelo e marrom. E a textura fofa e leve contrastando com a cobertura firme, desencadeava prazer singular. Tornou-se rapidamente um sucesso. Versátil, o bolo pode ser assado em forma comum de buraco, em assadeira retangular ou em forminhas individuais, o que foi a nossa opção. Claro que há muitas versões e cada um faz de seu jeito, obtendo massa mais ou menos compacta, calda mais ou menos espessa. E nisso reside o caráter flexível da receita, capaz de produzir inúmeras variações sobre o mesmo tema. Segue a que você vê nesta página.
Comece preaquecendo o forno a 180 graus. Unte a assadeira com manteiga e polvilhe a farinha. Tudo deve ficar pronto com antecedência, pois a massa se prepara num instante. Raspe as cenouras, corte em rodelas finas. Leve ao copo do liquidificador o óleo em primeiro lugar. Depois coloque as rodelas de cenoura e os ovos. Bata por três minutos e acrescente o açúcar. Bata por mais um minuto. Numa tigela peneire juntos farinha de trigo e fermento em pó. Derrame a pasta de cenoura sobre a mistura seca e vá mexendo devagar e sempre. Quando a massa estiver homogênea, derrame na forma escolhida. Leve a assar por aproximadamente 40 minutos. Teste com o palito para ver se está assado. Prepare a calda, juntando numa panela chocolate, leite, manteiga e açúcar. Quando começar a ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar por cinco minutos. Despeje a calda quente sobre o bolo, assim que o retirar do forno.
Ingredientes
3 cenouras médias
3 ovos
1 xícara (chá) de óleo de canola ou soja
1 ½ copo (americanos) de açúcar
2 copos (americanos) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em pó
Para a calda
5 colheres (sopa) de açúcar
3 colheres (sopa) de chocolate em pó
1 colher (sopa) de manteiga
1 colher (sopa) de leite
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