Quebrou-se pouco


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É de assustar! Não a violência de ‘vândalos’, como insiste e concentra em dizer grande parte da mídia. O que assusta é a ingenuidade dos que pensam que mesmo em face de toda a violência com que é tratado o povo brasileiro as massas reagiriam com espírito de perdão e subserviência a um poder imoral. Quantos foram os ‘vândalos’? O que foi quebrado? Vidros? O que foi destruído? Fachadas? Sorte. Pois, é pouco. Muito pouco.

Não se faz aqui apologia da sempre condenável violência ou nega-se a existência de aproveitadores. Mas esta violência é gratuita? Ou se relaciona com a fundamental lei da Física ‘ação e reação’?

Por isso, matematicamente e, sobretudo, moralmente, o que se destruiu é muito pouco frente às milhares e milhares de famílias arruinadas pelo descaso do Estado Brasileiro.

Milhões de cidadãos mortos ou inválidos por toda sorte de mãos assassinas que se tornaram os serviços e os espaços públicos do país. Por esse prisma, o número de ‘vândalos’ e de coisas quebradas é muito pouco.

A indiferença e negligência do Estado causam danos infinitamente maiores e mais maléficos, pois não apenas solapam coisas materiais dos indivíduos.

Roubam vidas, sufocam almas. Portanto, é praticamente impossível dar um recado contundente, e democraticamente precioso, sem arrombar algumas portas. Além do que, essa violência, longe de ser gratuita, configura-se mais a um grito de desespero vindo do fundo do poço da dignidade humana bradando: Chega!!!

Pois é assim, exatamente assim, sem violência e com respeito, como agora querem ser tratados os que usurpam os direitos básicos e vitais dos cidadãos, que o povo brasileiro exige ser tratado. Pode-se dizer que, em suma, é este o clamor das ruas.

As revoltas populares tendem a responder, ainda que ilegal e arbitrariamente, à altura da violência com que se é tratado o povo. E, quase sempre, é o próprio Estado, com sua desumana insensatez, que resgata nas massas exauridas de injustiças e exasperadas de raiva e rancor a milenar lei de talião do ‘olho por olho, dente por dente’.

Se a população brasileira resolvesse reagir à altura do descaso criminoso, leviano e descarado do Estado e levar a cabo a justiça rudimentar da lei de talião, viria por aí um intrépido e violento tsunami rompendo com ‘sangue, suor e lágrimas’ os palácios de corrupção, vergonha e crimes que emolduram as falidas instituições públicas brasileiras.

Portanto, com o perdão dos ingênuos do pau oco, quebrou-se pouco. Muito pouco.

Júnior Martiniano
Jornalista e pedagogo, diretor da Bicho do Mato Aventura e Indoor Comunicação Empresarial

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