O Brasil assiste à intensa movimentação de concidadãos que expõem direitos comuns que reclamam respeitados. A sociedade lúcida sabe legítima a maioria das reivindicações na pauta social das manifestações. É a voz das ruas contra, entre outros crimes, o império da corrupção em todos os níveis de governo.
Por saber-se alijado do direito a uma educação que eduque e a uma saúde que salve, quanto não sofre um cidadão brasileiro ao ver-se participante ativo de despesas com obras desonestamente licitadas, desembolsando com sacrifício a cota que se lhe impõe pela matemática da socialização dos custos criminosos?
Considere-se, por outro lado, a inadmissibilidade do tratamento dispensado aos pacientes pelos hospitais públicos, nem sempre por ausência completa de boa vontade de considerável parte dos médicos e demais profissionais da saúde, mas pelo descaso institucional no que tange a provisões e treinamentos indispensáveis em ambientes que propõem a acudir dores e aflições.
Considere-se, ainda, o alto custo dos transportes aliado à inflação geral, o que torna a vida do trabalhador um verdadeiro martírio e legítima pressão a justificar a asserção politicamente correta do falecido deputado Ulisses Guimarães: ‘é preciso ouvir a voz rouca das ruas.’
São vozes a ressoar direto da fonte da democracia contra os pesados prejuízos advindos de medidas impositivas que ignoram o sábio principio segundo o qual ‘o governo há de exercer-se em nome do povo’.
A morosidade da justiça, há muito, a faz injusta para o cidadão comum, porém, rápida e benemerente para os ‘tutelados institucionais’. Os banqueiros, na condição de concentradores da riqueza, livres para tarifar e taxar, são agentes hiperativos de uma imensa injustiça social.
Há que se considerar igualmente injusto o descaso nas soluções de queixas contra outro escudado segmento da exploração econômica sobre o povo brasileiro. O alto índice de reclamações populares contra as falhas da telefonia nacional parece não sensibilizar os órgãos públicos aos quais compete promover o saneamento que urge.
É-nos, todavia, oportunidade de registrar que, assim como a ganga não se funde ao metal nobre, o oportunismo dos vândalos e criminosos não encontra guarida no seio dos cidadãos ordeiros. Prevalece, porquanto, a expressão legal da parte honesta de uma sociedade que se sobrepõe à sua outra parte que, em atraso moral, ainda não alcançou os valores do viver em harmonia com os supremos desígnios das leis divinas que nos regem os interesses comuns.
Com efeito, é preciso que todos nos convençamos de que exigir atenção a direitos individuais ou coletivos é um dos lados de uma mesma moeda. O outro é o cumprimento irrestrito do dever, conduzindo-se, cada qual, com respeito às leis que o subordinam.
Se fazemos a hora de postular direitos que julgamos assistir-nos, não nos iludamos, é também hora de honrarmos os nossos deveres, conforme nos ensinou Jesus, quando disse à turba exaltada: ‘Quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra.’
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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