O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou ontem o corte, por meio de decreto, de R$ 355 milhões em gastos de custeio, entre 2013 e 2014, sendo R$ 129,5 milhões este ano e R$ 226 milhões no ano que vem. As medidas incluem a venda do helicóptero usado por ele e a extinção de 2.036 cargos comissionados que estão vagos. O governo estadual espera economizar, apenas com a venda da aeronave, R$ 4,5 milhões por ano. O governo diz, ainda, que irá devolver 436 carros alugados, em uma economia de R$ 6,5 milhões ao ano. Também serão vendidos 1.044 veículos do governo do Estado. A expectativa é economizar R$ 3,1 milhões com a manutenção dos carros. Alckmin apresentou ainda metas de economia de água, luz, combustível, passagens aéreas e diárias de hotel.
As medidas foram tomadas após as manifestações pelo País e a revogação, na semana passada, do reajuste da tarifa de trens da CPTM e do Metrô. Diante da pressão, o Palácio dos Bandeirantes voltou atrás nos aumentos e, a princípio, Alckmin afirmara que os investimentos em obras seriam prejudicados. Agora, resolve cortar onde mais pesa no custeio da máquina governamental: bens móveis e cargos comissionados (ocupados por indicação política, sem necessidade de concurso). Assim, o governador tucano dá o exemplo e mostra o caminho das pedras.
Reduzir o sorvedouro de dinheiro que é o custeio da máquina pública é o grande desafio dos governantes brasileiros. Aqui, cortam-se investimentos, mas não se mexe onde realmente importa ao cidadão brasileiro. Alckmin mostra que é possível reduzir os gastos e dá o exemplo ao colocar à venda o helicóptero que usa para seus deslocamentos. A partir de agora passará a utilizar a aeronave Águia, da Polícia Militar, que já fica à sua disposição. O governador decidiu, ainda para economizar dinheiro, fazer uma reestruturação. A Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano será incorporada à da Casa Civil. E várias outras autarquias serão extintas ou passarão por fusão.
É uma decisão bastante corajosa, que deveria ser seguida por outros governadores e até pelo Palácio do Planalto. Enquanto não se cortar na própria carne, o contribuinte brasileiro continuará pagando pela verdadeira farra que se faz hoje com o dinheiro público. Que a decisão de Alckmin sirva também de inspiração para senadores e deputados (federal e estadual), além de vereadores, no sentido de reduzir as grandes vantagens pecuniárias que têm: benefícios que não são extensivos ao trabalhador comum deveriam deixar de ser comuns a entes públicos. Esta atitude permitiria, com certeza, uma grande economia ao erário. Só assim será possível avançar em termo de justiças fiscal e social, pelas quais o Brasil anseia, no correr dos anos. Muitas vezes foi imposto aos brasileiros um aperto no cinto. Já passou da hora de este aperto ser exigido dos detentores de mandato e seus auxiliares.
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