É tempo de cozinhar e viajar com a memória


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Cuidados finais de Dirceu e Sonia antes das fotos que ilustrarão a seção no jornal
Cuidados finais de Dirceu e Sonia antes das fotos que ilustrarão a seção no jornal

Toda quinta-feira, o trabalho iniciado por Sonia Machiavelli na feira livre de domingo ganha efetivamente forma. Faltavam cinco minutos para as 10 da manhã do dia 6 de junho quando o fotógrafo Dirceu Garcia descia do carro da reportagem em frente ao prédio onde Sonia mora, no Centro de Franca. Com alguns minutos de antecedência ao horário marcado com ela, ele se identifica ao porteiro e sobe, carregado com seu arsenal fotográfico (que inclui, além da câmera profissional, dois flashes, dois tripés, uma sombrinha e um hazy - apare- lho que ajuda a difundir a luz).

Pelo elevador, ele chega ao andar da jornalista, que já o aguarda com a receita pronta do que vai ser fotografado por ele: bolo de fubá cremoso com quentão. Enquanto isso, Sonia começa os preparativos para iniciar mais uma receita, esta nova para ser fotografada passo a passo enquanto é feita. Antes desse bolo, outros dois já haviam sido feitos a título de “teste”: o que foi fotografado e um no dia anterior, que não deu certo porque não ficou cremoso como o esperado.

Errar na receita não é parte da rotina, mas é possível acontecer. No bolo de fubá, a jornalista acha que ter colocado o queijo parmesão no mesmo momento que os outros ingredientes influenciou na cremosidade final do doce. “Cozinhar é como a nossa vida, há acertos e erros e você precisa aprender a lidar com eles”, afirma. Sonia se recorda de outra receita que não ficou como o esperado: um bacalhau, feito há algum tempo. “Esse peixe precisa ser dessalgado, no mínimo, 48 horas antes do preparo da receita e, na época, não fiz isso”, conta.

Dirceu é o fotógrafo que sempre faz as receitas com Sonia, trabalha há mais de 15 anos na empresa que é da família dela e se sente à vontade para fazer seu trabalho. Entra no apartamento cumprimentando Sonia e a funcionária doméstica dela, Elza dos Reis, e vai direto para a sala de jantar montar seus equipamentos. O personagem principal é sempre o prato do dia.

A mesa já montada, a louça escolhida, o bolo e o quentão prontos e os sousplats de palha de milho compõem o clima junino da receita. Enquanto polvilha açúcar e canela sobre o bolo, Sonia avisa que é ela quem monta o cenário, mas que o olhar de artista é sempre do Dirceu.

Ao lado, na cozinha, os ingredientes já estão separados por porção para a terceira receita: quatro xícaras de leite, quatro ovos caipiras, duas colheres de sopa de margarina, uma pitada de sal, 1 xícara de açúcar, 1 e 1/2 xícara de fubá mimoso da feira, duas colheres de sopa de farinha de trigo, 100 gramas de parmesão ralado em casa e uma colher de sopa de fermento em pó.

Dirceu termina de fazer as fotos do bolo pronto e vai para a cozinha, onde a jornalista já iniciou a preparação da receita. “Bolo de fubá é ótimo para as festas juninas. É uma comida nossa, é tradicionalmente brasileira, mineira de raiz”, explica, enquanto mistura os ingredientes antes de colocar a assadeira no forno.

Com o bolo assando, Sonia começa a fazer o quentão. O cheiro do caramelo se espalha pela casa e, de olho no açúcar que está no fogo, pede para ver as fotos feitas pelo Dirceu e já pré-seleciona as imagens preferidas, mas não tira os olhos do fogão. “O açúcar não pode passar do ponto, caso contrário deixa o quentão com gosto amargo”, avisa.

O bolo, já dourado, está quase pronto. No fogão é hora de colocar a água (três xícaras) e a cachaça (uma xícara de Porto Estrela, premiada aguardente de Belo Horizonte) no quentão e deixar ferver com três fatias de gengibre, três rodelas de limão, três paus de canela e três cravinhos-da-índia. Pronto. É cheiro de festa junina no ar.

O cheiro do bolo já assado faz a memória viajar no tempo das festas de rua, onde cada vizinho levava para os arraiás um prato típico. Dá vontade de dançar quadrilha, rezar o terço e comer um pedaço do bolo cremoso de fubá com quentão. E assim, com fotógrafo, jornalistas e secretária do lar embriagados pelo cheiro de infância, termina mais uma receita para o Comer Bem.

É uma pena, caro leitor, que o jornal ainda não consiga levar até você o cheiro da pauta, porque com certeza você iria adorar. Enquanto isso não é possí- vel, acompanhe a receita no vídeo gravado especialmente para a internet. Veja em www.gcn. net.br.

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