Prefeitura incha creches para conter déficit de vagas


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A educadora Ana Lívia Ferreira, do CCI Joana Angélica de Jesus, no Leporace II, mostra cômodo da creche: entidade tem lista de espera de 155 crianças
A educadora Ana Lívia Ferreira, do CCI Joana Angélica de Jesus, no Leporace II, mostra cômodo da creche: entidade tem lista de espera de 155 crianças

Reportagem de Patrícia Paim e Bruno Piola

Mais de 3.000 crianças aguardam uma vaga nas creches de Franca. Para tentar diminuir a fila de espera, a Prefeitura estuda um plano para obrigar todas as unidades a ampliarem em 15% o atendimento. Hoje, segundo dados do próprio município, as 45 creches conveniadas atendem 4.509 crianças. Com a ampliação, a cidade poderia ganhar cerca de 670 novas vagas. O medo de coordenadores é que a medida, além de não zerar o déficit, superlote as unidades - a maioria já trabalha acima de sua capacidade e possui lista de espera.

Mesmo após duas reuniões com a diretora da Divisão de Creches, Carmem Peliciari Salgado, a medida ainda não está clara para os coordenadores das unidades, que não sabem exatamente como deverão trabalhar para cumprir a determinação. Eles têm até esta sexta-feira para elaborar um raio-x sobre a atual situação de cada uma das creches, com informações como o total de crianças atendidas, o que pode ser feito para abrir mais vagas e necessidade de contratar funcionários.

Levantamento feito pelo Comércio em cada uma das unidades mostra que as creches atendem hoje 4.712 crianças e a lista de espera ultrapassa 3.300 inscrições - não dá para afirmar que este é o déficit total, porque o nome de uma mesma criança pode estar na lista de mais de uma unidade. É justamente para evitar esse problema que a Prefeitura aguarda o raio-x das creches para criar uma central única de vagas. O objetivo é ter um controle maior do número de crianças na fila de espera e quais creches estão com vagas.

Coordenadores não sabem como irão ampliar o número de vagas, caso este estudo da Prefeitura se torne obrigação. “Para cumprir a determinação, terei de abrir 21 vagas. Não tenho condições”, disse a coordenadora da creche Nossa Senhora das Graças, Roseli Ribeiro. A medida é polêmica e os administradores divergem entre si (leia texto nesta página). Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, a ampliação foi autorizada pelo Ministério Público.

Não há informação se as creches serão “penalizadas” caso não cumpram a determinação, mas a assessoria de imprensa afirma que novos investimentos - se necessários - serão custeados pelo município. A secretária de Educação, Fabiana Sampaio, foi procurada durante três dias seguidos para comentar esse plano, mas não retornou as ligações feitas ao seu celular e à Secretaria.

NOVAS CRECHES
Paralelamente à ampliação de atendimento nas unidades existentes, a Prefeitura trabalha na construção de 11 creches, que juntas vão gerar 1.600 vagas. A previsão é de que sete sejam entregues até o fim deste ano e as demais até o início de 2013. Segundo Carmem Peliciari, os primeiros bairros a serem atendidos serão Vera Cruz III, Vila Santa Terezinha, Parque Moema, Primo Meneghetti e Santa Hilda.

Outra medida adotada pelo município para aumentar o número de crianças atendidas é o projeto alternativo que prevê transformar casas em creches para atender entre 20 e 30 crianças, principalmente nas regiões onde a demanda é maior. Segundo Carmem Peliciari, os bairros situados nas regiões Oeste e Norte necessitam do maior número de atendimentos. São eles: Leporace, Luiza I, Vera Cruz, Palermo City, Quinta do Café e Polo Franca. O programa ainda não tem data para começar a atender. “No momento estamos cadastrando os interessados em alugar ou vender o imóvel que poderá ser adaptado para se transformar em creche.”

PARTICULAR
Instituições particulares se encontram em situação muito melhor do que a das creches conveniadas. O berçário e escola de Educação Infantil Cheirinho de Mãe, por exemplo, conta com 40 crianças matriculadas e 10 funcionários, de acordo com a diretora da instituição, Esther Presotto. A critério de comparação, creches com o mesmo número de funcionários, como a Miramontes, “Joana de Ângelis” e “Ângelo Verzola” são responsáveis por 70, 80 e 108 crianças, respectivamente.

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