A frase não é minha, e não tenho como o devido crédito ao autor, pois, sinceramente, não sei quem é ele, mas, reflete a verdade: ‘a maior alegria de quem escreve é saber que é lido’. Confesso que fico extremamente feliz, radiante mesmo, quando socialmente encontro alguém que diz ser leitor de meus artigos das quintas-feiras neste Comércio. Digo com bastante sinceridade que, para mim, não é absolutamente relevante que o leitor concorde com aquilo que eu pense em relação aos fatos, pessoas e episódios sobre os quais escrevo. O relevante mesmo, é saber que fui lido, mesmo que para ser contestado.
Algumas vezes fui criticado por amigos leitores em relação a determinado texto. Segundo o leitor, nele não deixei claro meu ponto de vista sobre o tema versado. Destaquei no texto argumentos e posições dos dois lados da controvérsia, porém, não deixei definida a minha posição.
Estejam certos de que quando isso ocorre, não é com o propósito de não me melindrar ou não, me comprometer com um dos lados, mas sim porque não tenho ainda, posição firmada no tema. Em outros casos, porque, de propósito, quero que o próprio leitor forme sua convicção, sem que seja sugestionado pelo meu ponto de vista.
Digo sempre a meus alunos que o que eu penso hoje, a respeito de determinado assunto, não significa que amanhã terei a mesma opinião, até porque somente os insanos são incapazes de mudar o que pensam. Assim, em algumas situações, prefiro não me manifestar, pois ainda não estou convencido com quem está a razão.
Ademais, embora já escreva neste Comércio há mais de três anos, considero-me, ainda, um neófito. Sempre que leio os escritos de meus colunistas e articulistas preferidos, deste jornal e de outros também, de grande circulação no país, coloco-me a pensar quão distante deles estou. O caminho do aperfeiçoamento é ainda bastante longo.
Porém, se tem algo que me deixa bastante feliz é a liberdade de escolher o assunto e de desenvolvê-lo de acordo com aquilo que penso no momento que estou escrevendo. Imagino o quanto deve ter sido difícil para a imprensa brasileira o período em que não havia plena liberdade de expressão, em que os jornais tinham matérias censuradas de última hora, obrigando-os a ocuparem o espaço com receitas culinárias ou fotos de flores e animais.
Escrever, sem dúvida é um dom, mas pode e deve ser aperfeiçoado. Tenho, sinceramente, procurado melhorar, mesmo porque o advogado acaba desenvolvendo, com o tempo, uma linguagem jurídica que, sem dúvida, é diferente da linguagem coloquial que é mais informal e popular. Assim, repetindo John Milton, escritor e pensador inglês do século XVII, ‘Acima de todas as liberdades, dê-me a de saber, de me expressar, de debater com autonomia, de acordo com minha consciência’.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
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