Pacto pela educação


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Num momento em que a população brasileira sai às ruas cobrando um maior comprometimento das autoridades com as questões de saúde, transporte e educação, entre outras, recente amostragem mostra um dado estarrecedor: mais da metade das crianças brasileiras do 3º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas não aprendeu os conteúdos esperados para esse nível de ensino. Os dados são da Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização) e foram divulgados ontem pela ONG Todos Pela Educação. Também participam dessa prova a Fundação Cesgranrio, o Instituto Paulo Montenegro e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

O levantamento aponta que uma em cada 3 crianças não sabe o adequado em matemática para o 3º ano, 55,5% leem mal e 69,9% têm desempenho abaixo do esperado na escrita. Se considerar apenas as escolas públicas, a situação é pior. Em matemática, 70,8% dos alunos não sabem o adequado para a série. Em leitura, esse porcentual é de 60,3% e em escrita, de 74,1%. Segundo os coordenadores da avaliação, os resultados mostram que as crianças escrevem pior do que leem e indicam certo abandono do ensino de matemática.

Os resultados mostram um abismo entre regiões e Estados. Enquanto a Região Sudeste tem 57% dos alunos de 3º ano sem o aprendizado considerado adequado em matemática, o melhor resultado, o Nordeste aparece na outra ponta, com 86,4%. Considerando os Estados, a distância é ainda maior. Santa Catarina tem o melhor resultado, com 53,5% dos alunos sem o conhecimento adequado em matemática, por exemplo. Já o pior Estado é Alagoas, com 92,1% com aprendizado fora das expectativas.

As constatações da Prova ABC apontam para um ensino completamente deficiente e demonstra que os estudantes deixam o ensino fundamental sem o mínimo de conhecimento exigido, o que pode criar reflexos futuros, principalmente no que diz respeito à evasão escolar. País de uma legião de analfabetos funcionais (sabem ler e escrever com dificuldades, mas não conseguem interpretar um texto), o Brasil já deveria, há tempos, ter fechado um pacto pela educação. Ao esperar o dinheiro dos royalties do petróleo ou do que for extraído do pré-sal para aplicar no setor educação, o governo mantém a mesma estratégia de sempre: deixando para depois o que deveria ter sido resolvido ontem!

O pacto para a Educação proposto por Dilma está ficando em segundo plano diante da mobilização pelos transportes, pela reforma política e pela saúde. Porém, é primordial que seja colocado como a maior prioridade, pois do ensino adequado dependem os futuros profissionais que irão manter funcionando os setores pactuados pela presidente com governadores e prefeitos. De nada vai adiantar uma reforma política, investimentos em mobilidade urbana ou saúde se a educação não vier em primeiro lugar.

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