Numa coletiva realizada três horas antes do início do segundo dia de protestos em Franca, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) decepcionou. Dos 40 minutos que durou seu discurso inicial, a maior parte foi dedicada para defender o preço da tarifa cobrada pela empresa São José. Alexandre citou os aumentos do custo operacional da concessionária e a quantidade de gratuidade existente na cidade para justificar a não redução do valor cobrado pelo transporte coletivo. De prático, apenas o anúncio de um congelamento no preço da tarifa em R$ 2,80 por tempo indeterminado.
A coletiva começou às 14h40. Alexandre estava acompanhado pelo vice-prefeito Fernando Baldochi (PMDB). Na abertura de seu discurso, misturou assuntos nada correlatos como a PEC (Proposta de Emenda Constitucional), que pretendia limitar os poderes do Ministério Público e foi arquivada à noite pela Câmara dos Deputados, e a realização de shows na Expoagro.
Em seguida, anunciou a criação de um espaço municipal para a realização de grandes shows. Mas não explicou onde será esse local nem especificou como vai ser seu funcionamento. “A nossa ideia é ceder para as empresas para que em troca elas cobrem ingressos mais baratos. O valor que tem sido praticado aqui, em Franca, é muito fora da realidade da maioria da população”, disse.
Depois também de maneira nada clara, informou que a Prefeitura tem buscado recursos para a melhoria da mobilidade urbana em Franca. A ideia seria a implantação de novas avenidas interligando principalmente os bairros da região Norte e Oeste. Mas, mais uma vez, foi vago ao detalhar os projetos. Não citou valores e se limitou a dar como exemplo duas interligações: a dos bairros Meirelles e Jardim Paineiras e Meirelles e Jardim Integração. Ainda citou superficialmente a expansão de ciclovias e a criação de motovias, espaços destinados exclusivamente para motos.
ÔNIBUS
O transporte coletivo foi o tema seguinte. Alexandre começou anunciando a criação de um serviço destinado a atender as reclamações da população, numa espécie de Disque-ônibus. “Queremos criar um canal direto com os usuários e saber quais são suas necessidades e as dificuldades que enfrentam no dia-a-dia.” Mas não informou o número para o qual os usuários deverão ligar nem o dia em que o serviço entrará em operação. “Ainda estamos acertando os detalhes com a CTBC. Espero que seja logo, talvez ainda nesta semana.”
Alexandre também falou sobre a implantação de linhas que farão o transporte de passageiros intra-bairros. O serviço já havia sido anunciado com exclusividade pelo Comércio da Franca em abril.
Por fim, o prefeito falou sobre o valor da tarifa praticado em Franca. Ao contrário do que se esperava, o tom adotado foi de defesa da tarifa cobrada pela São José. “Fizemos um estudo preliminar que concluiu que os R$ 2,80 cobrados hoje não cobrem os custos operacionais da empresa.”
Segundo o prefeito, isso acontece porque “quatro em cada dez passageiros que circulam nos ônibus da cidade não pagam tarifa. São mais de 8,6 milhões de viagens feitas de graça por ano. Imagina o custo disso. É só multiplicar esse número pelo valor da tarifa.”
Alexandre também disse que o mesmo estudo preliminar mostrou que o número de usuários do transporte público vem caindo. “Só no último ano, a queda foi de 2,09%.” E citou os aumentos nos insumos que envolvem o transporte. “O óleo diesel subiu 15,13%, os pneus 6,68% e os salários dos funcionários 7%. É por esses motivos que não temos como mexer na tarifa.”
Apesar do discurso de defesa, Alexandre disse que, por enquanto, não haverá aumento na tarifa cobrada. “Vamos manter o preço até concluirmos um estudo sobre a possibilidade de reduzir o valor com a renúncia do recebimento de ISS (Imposto Sobre Serviços) e da taxa de administração, que juntos correspondem a cerca de R$ 2 milhões.” O estudo e o congelamento de preços não têm prazos.
Veja algumas cenas do segundo protesto:
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