A onda de protestos cidadãos que tomou conta do país dá muito orgulho!
O exercício da cidadania está à flor da pele. Momentos de reflexões. Principalmente em relação aos rumos da política brasileira. Lembro-me de manifestações do início da década de 90. Pintei o rosto e fui para as ruas. Outras manifestações ocorreram desde aquela época, mas não na proporção das que ocorrem hoje.
Especialmente em Franca, número considerável de manifestantes foi às ruas. Talvez, proporcionalmente à população, seja um dos maiores contingentes do país. Não há pauta específica de reivindicações e também não há lideranças que possam falar em nome do movimento. Denota insatisfação com o quadro político atual mas corre o risco de se perder exatamente por não ter liderança e nem objetivo específico. As reivindicações são genéricas: abaixo à corrupção!, por educação melhor!, dentre outras. A generalidade com que os manifestantes empunham cartazes, entendo seja prejudicial à continuidade. Pauta específica e com prazo de implementação seria indispensável para que o movimento não se perca.
Apesar disso, o protesto é muito bem vindo e deve continuar. O que se tem percebido é o cansaço de todos em relação à classe política e a questões mais profundas que assolam o país desde seu descobrimento, como saúde e educação. Certamente a facilidade de comunicação, pelas redes sociais e pelo Comércio da Franca, órgão precursor do incentivo aos manifestantes civilizados, fez com que o protesto se viabilizasse rapidamente e com tanta abrangência.
Por outro lado, há vândalos e bandidos que se infiltram no movimento para provocar baderna. Repudio! Uma pequena minoria identificável, em geral, faz mais barulho que a grande maioria, porque choca a população pela barbárie com que atua. Igualam-se a animais selvagens, sem racionalidade. Torcemos para que a polícia os identifique e faça-os pagar pela sua destruição, do ponto de vista econômico e penal.
Afora a baderna dos vândalos, protesto deveria ocorrer sempre que as coisas não andam bem. Por exemplo: porque não protestar contra empresas que desrespeitam consumidores? Para que se tenha uma ideia, empresas de telefonia insistem em lesar e lideram, há tempos, a lista de reclamações dos Procons. Merecem protesto. Aliás, o maior protesto é diminuir o consumo. Postos de combustíveis, principalmente em Franca, agem com gana por lucro e, para isso, passam por cima dos direitos do consumidor, praticando preços idênticos em verdadeiro cartel. Merecem protesto!
Em Franca, temos trânsito caótico que mata como poucos. Os índices de acidente no trânsito francano merece protesto veemente. A falta de lazer, inclusive com o cancelamento dos shows na Expoagro, também merece protesto. A coleta de lixo e o transporte coletivo francanos são uma lástima e merecem protesto também! E porque não dizer que a construção do viaduto e a falta de transparência do governo merecem protesto? Ou seja, podemos listar aqui diversos temas que podem ser objeto de protesto pacífico.
Então, é preciso engajamento das pessoas para canalizar energia positiva e terem unicidade na ação para protestarmos contra a má qualidade na prestação de serviços públicos federais, estaduais e municipais. Mudanças são necessárias e urgentes. A insatisfação popular é o termômetro mais preciso para guiar os governantes no caminho da melhoria dos serviços públicos tão usurpados nos últimos tempos.
Obviamente que a violência deslegitima o protesto e faz com que a população em geral fique desacreditada. A violência da polícia também é outro ponto negativo. Policiais devem manter a ordem com serenidade e sem se misturar e se igualar aos vândalos, para o bem da democracia. Que os bons ventos soprem a favor. Que os governos enxerguem e ouçam o anseio da população por mudança com ações efetivas.
Portanto, é necessário que façamos grande pacto pela melhoria na qualidade dos serviços públicos. Importante que a população tenha acordado da grande letargia dos últimos vinte anos. Agora, é organização das ações precisas, objetivas e específicas para que possamos colher os frutos da união de forças. Os governos precisam entender o recado das ruas e mudar suas ações para a melhoria dos serviços públicos. A população percebeu sua força no protesto e deve continuar a protestar até que mudanças efetivas, ou, pelo menos, a sinalização clara e inequívoca de mudanças ocorram no curto prazo. Enfim, acordamos! Viva o protesto sem violência!! Exerça sua cidadania e proteste civilizadamente.
CONTRA TELEFONIA 1
As redes sociais deixaram de ser apenas ambiente virtual em que pessoas se relacionam. Recentemente, esses sites passaram a ser usados para denúncias, mobilizações, defesa de crenças e também, para muita reclamação. Para as companhias, interessadas em transformar essa audiência em consumidores fiéis, críticas a produtos e serviços nas redes sociais são grande motivo de preocupação. Pesquisa realizada pela americana Amdocs, fornecedora de softwares de gestão para operadoras de telefonia, mostrou uma grande insatisfação dos usuários de redes sociais com as operadoras de telecomunicações e uma relação direta entre o que se comenta na internet e a geração de receita das empresas.
CONTRA TELEFONIA 2
A pesquisa entrevistou 2 mil usuários de smartphones nos cinco continentes para traçar o índice de classificação de promotores na rede (na NPS, sigla em inglês). A pontuação, que pode chegar a 100, é determinada pelo saldo de usuários que promovem a marca e os serviços da operadora menos o número de usuários que fazem críticas. Indústrias com boa classificação obtêm pontuação entre 30 e 50. De acordo com a pesquisa, o índice médio global para os serviços de telefonia móvel foi de 3,2. Na América Latina, onde foram ouvidos usuários do Brasil e México, a classificação mais alta foi de 1,8. Ou seja, a telefonia continua merecendo protestos dos consumidores.
Denílson Carvalho
Advogado, ex-coordenador do Procon Franca - denilson@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.