Exagero nas diárias


| Tempo de leitura: 2 min

A questão dos gastos públicos ainda é tratada com displicência em nosso País. Em que pesem os R$ 10 bilhões que o Brasil está gastando para abrigar a Copa do Mundo de 2014, o governo federal publicou um decreto por meio do qual dobra a ajuda de custo aos servidores federais que trabalham na Copa das Confederações. Na prática, o aumento chega a R$ 580 ao dia (quase um salário mínimo de R$ 678) e atinge R$ 1.162, caso somado aos benefícios anteriores.

A ajuda de custo criada pelo governo ficou conhecida como ‘Bolsa Copa’ e serve para arcar com custos de transporte, acomodação e alimentação de ministros de Estado, servidores federais e integrantes das Forças Armadas quando estão em viagem para trabalhar no evento esportivo. Os ministros de Estado foram os maiores beneficiados pelo decreto: os atuais R$ 580 para cobrir as despesas da viagem dobraram para R$ 1.162 nos dias de jogos em Brasília, Manaus ou Rio de Janeiro. Com essa quantia, é possível comprar três cestas básicas em São Paulo, ao preço de R$ 376,64 cada. Como se vê, não há uma preocupação com os gastos. Embora o governo federal tenha garantido que o dinheiro será liberado apenas para quem estiver trabalhando, ninguém duvida que haja quem conseguirá burlar esta norma.

Os protestos das duas últimas semanas, quando mais de um milhão de brasileiros foram às ruas demonstrar sua insatisfação com toda a sorte de mazelas que atingem o Brasil, não serviram de alerta aos nossos governantes. O brasileiro hoje já não aceita mais pagar a conta dos desmandos e da roubalheira promovida à custa do erário público. Então, ao pagar praticamente dois salários mínimos por dia para servidores ‘trabalharem’ no evento, o governo demonstra total insensibilidade ao que vem sendo motivo de duras críticas. Deve-se ressaltar que passagens de avião também são bancadas pelo erário. A um trabalhador comum, as diárias para viagens contemplam tão somente despesas básicas com alimentação, transporte e acomodação e para qualquer gasto é exigida a comprovação dos gastos, coisa da qual raramente temos notícia no ambiente público.

Ou seja: embora a presidente Dilma tenha feito um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV na sexta-feira dizendo-se preocupada com as reivindicações populares, o governo federal não busca, de sua parte, apertar o cinto. Gasta-se muito e gasta-se mal. Enquanto o orçamento público não for tratado como um patrimônio coletivo, já que o dinheiro é decorrente da alta carga tributária brasileira, este País nunca deixará de ser apenas um emergente. Se desejarem o protagonismo mundial para o Brasil, os políticos precisam se fazer respeitar dentro do nosso território, tratando com respeito todos os brasileiros, para que também sejam respeitados. O exercício começa em casa. Enquanto essa vergonhosa farra continuar nos centros de tomada de decisão, em todos os seus níveis, a voz das ruas irá se levantar a partir de agora. É bom que os políticos, depois do recado das últimas semanas, coloquem as barbas de molho.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários