Nas duas últimas décadas, quando começava a colheita de café, as plantações eram tomadas por trabalhadores vindos do norte de Minas Gerais e sul da Bahia. Por aqui, passavam até seis meses trabalhando nas lavouras de café. Ibiraci (MG), maior produtora entre os 14 municípios da região, chegou a receber quase dez mil trabalhadores por safra. Realidade bem diferente nos dias de hoje. Onde antes eram vistos os cortadores, hoje circulam máquinas.
De acordo com a Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas), 70% da safra de 2012, que rendeu dois milhões de sacas, foram coletados com máquinas. Mas, ao contrário da cana-de-açúcar, em que a mecanização é uma determinação do governo estadual, nas lavouras de café a justificativa de adotá-la é o custo operacional; bem mais vantajoso para o cafeicultor.
Em Ibiraci, as máquinas começaram a operar nas lavouras na safra de 2004 e não pararam mais. “Naquele ano, o número de trabalhadores não passou de 6 mil. Em 2012, caiu para 1.500 e neste ano não deve chegar a mil”, afirma o presidente do Sindicato Rural de Ibiraci, Gaspar Tavares.
A colheita mecanizada em Ibiraci já chega a 80% das propriedades. “Essa é uma tendência que não tem volta. O cafeicultor que ainda não tem condições de comprar uma máquina pode alugar o equipamento de outro produtor. Mesmo assim fica mais barato do que todos os gastos que teria com o trabalhador.” Um cálculo feito por Gaspar mostra que em um dia cem trabalhadores colhem, em média, 10 alqueires. Já uma máquina pode chegar a mil alqueires por dia. “Sem falar que a máquina trabalha à noite.”
A realidade também mudou em Pedregulho. No começo do ano 2000, as lavouras de café do município chegavam a receber até quatro mil trabalhadores. Para a colheita deste ano, o número deve ser de mil. A constatação é do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sandro de Carlo. “As exigências do Ministério do Trabalho aos empregadores para as contratações se tornaram mais rigorosas. Com isso, eles passaram a investir nas máquinas. Hoje em dia quem não compra, aluga.”
João Alves, presidente da Cocapec, disse que o investimento em uma colheitadeira chega a R$ 570 mil e a opção tem sido alugá-las. Ele calcula que há 40 máquinas na região exclusivas para aluguel. A locação por uma hora de serviço varia de R$ 200 a R$ 250.
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