Reportagem de Patrícia Paim e Barros Filho
Os atos de vandalismo e crimes registrados logo após o final da manifestação de quinta-feira em Franca não ficarão impunes. A afirmação foi feita ontem pelo delegado adjunto Márcio Garcia Murari, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). As equipes comandadas por Murari foram designadas pelo delegado Seccional, Marcelo Caleiro, para agir energicamente contra o que foi classificado por ele como “bandidos infiltrados” entre as pessoas que protestaram de forma pacífica na cidade. A Polícia Militar também trabalha para identificar os vândalos. “Ninguém foi levado para o plantão. Mas temos imagens e fotos e vamos trabalhar para identificar os autores”, disse a capitão Cláudia Lança, chefe do Setor de Operações da PM.
O trabalho da DIG será identificar e indiciar as pessoas que se envolveram nos atos de pichação e danos em bens públicos e privados, e, principalmente, pedir a prisão de todos que se envolveram nos saques em estabelecimentos comerciais. “Estamos reunindo provas, conversando com comerciantes para que cedam as imagens que foram gravadas dos autores dos danos e furtos e em buscas de testemunhas que possam auxiliar nas investigações”, comentou Murari.
Ontem, investigadores refizeram o trajeto da manifestação em buscas de locais com sistema de gravação de imagens por câmeras internas e externas. Um requerimento foi enviado à Guarda Municipal solicitando as imagens feitas pelo sistema de monitoramento da corporação. Os profissionais da imprensa que registraram os fatos estão sendo convidados a cederem o material que produziram. “Esperamos e contamos também com a colaboração das pessoas que registraram através de seus celulares os crimes cometidos, para que o mais rápido possível possamos concluir o inquérito”, disse.
OS ATAQUES
A manifestação foi elogiada pela Polícia Militar, que acompanhou todo o ato sem registrar nenhuma ocorrência. O movimento, considerado pacífico, só foi prejudicado por vândalos que atuaram na região central após as 20 horas ao fim da manifestação, que teve início no Centro e terminou no viaduto da Major Nicácio. “Infelizmente um grupo pequeno de vândalos, com outra intenção sem ser a de manifestar, aproveitou a situação para praticar alguns atos de vandalismo. Felizmente, a Polícia Militar está sempre preparada para atos como este. O nosso objetivo não era ir para o combate e sim atuar de forma a dispersar a multidão”, disse a capitão Cláudia.
Na tentativa de conter a confusão, os policiais da Força Tática usaram gás lacrimogêneo nas proximidades do Terminal de Ônibus “Ayrton Senna” e da Praça Barão. “Não tínhamos a intenção do confronto corpo a corpo. Felizmente, conseguimos um resultado positivo”, afirmou a policial. Durante o ato, lixeiras foram queimadas, vidros e portas de estabelecimentos comerciais foram quebrados e uma loja saqueada.
Já a segurança dos prédios públicos, como a Prefeitura e a Câmara, que estavam no itinerário dos manifestantes, ficou por conta da Guarda Municipal. A Secretaria de Segurança e Cidadania montou um planejamento especial para garantir a segurança. Durante a manifestação, um grupo de 25 guardas civis permaneceu no prédio. “A manifestação foi pacífica, infelizmente um grupo se aproveitou da situação para praticar atos de vandalismo”, disse secretário Sérgio Buranelli. Na Prefeitura, foram quebrados um vidro e um holofote, ainda soltaram um rojão no prédio, chutaram grades e picharam um muro. “Na Câmara fizemos apenas o monitoramento, nada foi registrado.”
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) também lamentou o incidente ocorrido na noite de quinta-feira na região central de Franca. “O vandalismo gerou prejuízos ao município, aos munícipes e à iniciativa privada. Por outro lado, parabenizamos os manifestantes pela civilidade, comportamento ético e senso crítico, compatíveis com a essência da democracia”, disse por meio de um informativo enviado à imprensa, elogiando a manifestação pacífica de antes.
NOVA MANIFESTAÇÃO
Franca poderá ter mais um protesto na próxima semana. Os organizadores do evento de quinta-feira devem voltar a se reunir neste domingo para discutir a possibilidade de mais um movimento nas ruas da cidade. Na região também há movimentação. É o caso de Restinga. Lá, a previsão é de que o protesto aconteça na segunda-feira, às 17 horas.
Segundo informou a capitão Cláudia, a polícia já tem conhecimento da possibilidade de uma nova manifestação. “Através de redes sociais soubemos da possível manifestação na próxima semana em Franca e no dia 24 de junho em Restinga. A PM sempre possui um planejamento estratégico para atuação nesses casos.”
Veja os vídeos:
Grupo se aglomera no terminal Ayrton Senna em ato de vandalismo
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