Adesão quase geral marca a manifestação


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O protesto oficial e pacífico realizado no final da tarde ontem, com início em frente à boate Montana e término no viaduto Dona Quita, não registrou manifestantes contrários ao movimento. Mesmo os que não carregavam cartazes de protesto, bandeiras do Brasil ou máscara nos rosto, e que apenas assistiam aos atos não demonstraram qualquer sinal de descontentamento.

Comerciantes fecharam suas lojas no calçadão central cerca de uma hora antes do horário convencional. Era por volta de 16h50 quando José Roberto Machal, dono de uma loja de tecidos e aviamentos, resolveu baixar as portas. A decisão, mesmo causando um prejuízo de 20% nas vendas do seu dia, foi tomada por precaução a possíveis atos de vandalismo - que mais tarde, no protesto não oficial, foi realmente registrado - e, principalmente, para que ele pudesse participar do manifesto. “O Brasil pede por esse ato há muito tempo. Mesmo vendendo menos que um dia convencional, é moralmente compensador. É nosso patriotismo pedindo por um novo País para se viver”, disse o comerciante.

O dono da Casa das Malas, Cássio José Calil, também baixou as portas da sua loja e apoiava um protesto sem anarquismo. O taxista Sandro Henrique de Melo, ao contrário dos comerciantes, não pôde parar seu trabalho na hora dos protestos, mas viu seu movimento cair e, mesmo assim não reclamou. “É um dia histórico. Passou da hora de sairmos às ruas. Infelizmente não pude participar, mas apoio”, afirmou.

O escritor Luiz Cruz de Oliveira viu os atos da varanda do seu apartamento, na área central de Franca, e torce por protestos com objetivos mais claros. “Qualquer manifestação popular, desde que pacífica, merece respeito, mas acho que ainda faltam objetivos claros a se lutar. Todo mundo quer, por exemplo, reforma política e uma saúde melhor, mas um protesto sério precisa estabelecer meios para se alcançar isso.”

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