Estudantes reclamam de taxas para imprimir provas no 'João Marciano'


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Estudante de 18 anos da “João Marciano” diz que não vai pagar R$ 3 por não ter condições
Estudante de 18 anos da “João Marciano” diz que não vai pagar R$ 3 por não ter condições

A prática de cobrar pais e alunos pela impressão de simulados gerou polêmica nesta semana em uma escola estadual de Franca. Dois estudantes do 3º ano do Ensino Médio da escola estadual “Doutor João Marciano de Almeida”, de 18 e 16 anos, se recusaram a pagar a taxa de R$ 3, cobradas a cada bimestre e, por causa disso, eles alegam que uma coordenadora da escola os teriam ameaçado de ficar “sem nota”. As provas são utilizadas nas notas finais dos alunos. “Não avisaram na minha sala que estavam recolhendo o dinheiro das provas esta semana. A nossa coordenadora, então, chamou todos os alunos que ainda não haviam pago, afirmou que iria segurar as provas e não iria corrigi-las até que a gente pagasse”, disse o estudante de 16 anos.

O prazo para o pagamento vai até essa sexta-feira, mas o aluno não irá quitá-lo. “Pesquisei na internet e vi que não é certo cobrar prova. Não sou obrigado (a pagar). Podem passar a prova na lousa, não tem problema”, disse.

A outra estudante, de 18 anos, confirmou o relato do seu colega, e alega que não pode pagar o valor. “Mudei para Franca em janeiro. Em Minas Gerais nunca cobraram nada. Achei muito estranho, mas paguei. Dessa vez, não tive condições. Não acho isso certo. Já que a escola é pública”, disse.

A coordenadora do Ensino Fundamental, Aline Serrano, esclareceu que os alunos que optam por não pagar não são prejudicados, e tem suas provas são corrigidas do mesmo jeito. “Esses alunos devem ter entendido errado. A escola arca com aqueles que não podem contribuir”, disse.

A diretora da João Marciano, Celma Andrade, afirmou que, em reunião da APM (Associação dos Pais e Mestres), os pais assinam um termo de contribuição dos R$ 3 no começo do ano. “Usamos o dinheiro para a impressão de cerca de 16 mil folhas de simulados bimestrais para os nossos 1600 alunos, além de atividades do Saresp, por exemplo, durante a semana. É um pedido de ajuda, não uma cobrança”, disse. Ela justifica o fato de utilizar o sistema de cópias porque as provas são “muito bem elaboradas e contextualizadas”, contando com gráficos e mapas. “Nossa responsabilidade é com a formação geral dos alunos. Não pensamos apenas no vestibular, e isso não é alcançado só com livrinho de pergunta e resposta”, disse. Ela chama a atenção para o bom resultado da escola no Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo). A unidade alcançou o primeiro lugar entre as escolas de Franca do Ensino Fundamental.

A assessoria da Secretaria Estadual de Educação informou que nenhuma taxa pode ser cobrada pelas escolas estaduais para atividades curriculares. A Secretaria também vai apurar o caso para verificar se houve erro de conduta na “João Marciano”.

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