Nem só de literatura vive a Feira do Livro. O evento realizado em Ribeirão Preto, entre os dias 6 e 16 deste mês, foi permeado por show musicais, apresentações teatrais e palestras que iam de moda a empreendedorismo. Já no último final de semana, o cinema deu o tom ao evento.
Na manhã e tarde de sábado, 15, o cineasta Esmir Filho ministrou uma oficina de adaptação de romance para o cinema. Na tarde de domingo, 16, foi a vez do crítico de cinema Rubens Ewald Filho ministrar um debate com os diretores Kleber Mendonça Filho e Camilo Tavares.
No sábado, Esmir exibiu o único longa-metragem do seu currículo (Os famosos e os duendes da morte), adaptado da obra homônima de Ismael Caneppele. Em seguida, ele realizou um bate-papo com as cerca de 20 pessoas inscritas na oficina, tirando dúvidas e explicando como a obra foi transposta - ele não gosta do termo “adaptada” - para a telona. “Essa palavra parece que você está se formatando a alguma coisa e a reformulando. Parece algo frio. Gosto de diálogo, transcriação”, disse.
O assunto mais debatido no workshop foi a necessidade de dar vida aos personagens do roteiro, através de técnicas como o detalhamento de informações sobre eles e cenas adicionais (que não necessariamente precisam entrar na versão final do filme). “Acredito em mergulhar no projeto, porque você acaba esbarrando em coisas importantes e para colocá-las no papel.”
Já no domingo, os cineastas Kleber e Camilo contaram detalhes sobre seus filmes recém-lançados, O som ao redor e o dia que durou 21 anos, respectivamente. Mendonça Filho argumentou que seu filme não é tão inovador como geralmente é descrito. “A linguagem do filme é do cinema clássico. O filme só não tem violência e efeitos visuais, que são coisas que me deixam dormente”, afirmou ele. Já Camilo disse que seu documentário demorou cinco anos para ser feito pela dificuldade de encontrar material sobre personalidades como João Goulart.
O filme, então, baseou-se muito mais em arquivos dos Estados Unidos. O evento foi mediado por um dos mais famosos críticos de cinema do Brasil, Rubens Ewald Filho.
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