Assim como várias cidades do País, Franca hoje tem a oportunidade de marcar sua posição na história, ao promover uma passeata de protesto pelas ruas do centro da cidade. Assim como as ações que se multiplicam pelo Brasil, o movimento traz uma ampla pauta de motivações, passando pela indignação contra um aumento na tarifa do transporte coletivo urbano até a reivindicação de uma melhora na Segurança Pública.
A agitação que tomou conta de algumas capitais brasileiras na semana passada e que cresceu a ponto de envolver cidades de todos os portes nos dias subsequentes, na história recente do País encontra paralelo apenas no movimento caras-pintadas, há duas décadas, quando estudantes saíram às ruas pedindo o impeachment do presidente Fernando Collor, cujo governo se via às voltas com acusações de corrupção, desvio de verbas e improbidade administrativa. O nome decorria das cores verde e amarelo que a juventude da época trazia pintadas no rosto. Antes disso, apenas o Diretas-Já havia envolvido centenas de milhares de brasileiros, entre os anos de 1983 e 1984, há quase trinta anos.
Enquanto o primeiro levou à queda de Fernando Collor, o segundo não foi capaz de atingir os objetivos (a eleição direta para presidente e governadores), mas foi o estopim para a eleição indireta do presidente Tancredo Neves no colégio eleitoral e a redemocratização do País, vivera duas décadas sob um regime militar de exceção. A esperança, agora, é de que as autoridades sintam o clamor popular e mais uma vez entendam que o brasileiro, considerado ordeiro e pacato, já não aceita mais a pecha de indiferente aos desmandos da política e dos políticos e aos rumos da economia, que afeta o bolso de cada um de nós.
O aumento das tarifas do transporte nas capitais em torno de 20 centavos de real foi apenas um gatilho de toda esta movimentação, principalmente depois das noites de violência vividas em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro, que serviram para avivar um sentimento de revolta por todas as mazelas que assolam o brasileiro. A população não suporta mais acompanhar a impunidade que beneficia corruptos e corruptores, enquanto o dinheiro escoa para o bolso de quem deveria estar cuidando do bem estar de todo o cidadão brasileiro. O que o brasileiro busca são condições para viver com dignidade, sem precisar recorrer ao assistencialismo oficial para alimentar a sua família.
O francano, hoje, engrossa essa corrente que mostra ao mundo estarmos cansados da carestia, da irresponsabilidade de autoridades políticas e do peso dos tributos que estão servindo para engordar a corrupção, beneficiando uns poucos em detrimento da grande maioria. Por isso, a expectativa é de que estes protestos surtam efeito e que os francanos deem uma grande mostra da sua responsabilidade, ao manter a passeata marcada para hoje pacífica, do começo ao fim, como um legítimo instrumento de reivindicação e que externe com civilidade a indignação de todos nós.
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