“Arraiá”


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Costuma vir escrito nos convites que recebemos para alguma festa junina: “Venha se divertir no Arraiá do Fulano de Tal”. Essa palavra escrita assim, sem a letra l final, representa o espaço onde se cria um cenário especial para a comemoração.

Muitos elementos fazem parte deste cenário: bandeiri-nhas de papel colorido, fogueiras verdadeiras ou de imitação, um lugar mais elevado onde se colocam prendas e fica o leiloeiro, galhos de bambu que imitam árvores, frutas da época, como mexerica, laranja baiana e limão china.

Esse nome “arraiá”, imitação do jeito de falar dos mineiros do interior, foi bem escolhido. O arraial foi o começo da maioria das cidades brasileiras. Ele foi a semente de onde brotou a vila que deu origem à cidade.

Os primeiros europeus aqui chegados após o descobrimento do Brasil, vieram com a intenção de explorar a terra e voltar a seu país de origem, Portugal. O que mais cobiçavam, depois de terem acabado com o pau-brasil, era o ouro que se encontrava encravado nas minas.

Para chegar às minas, os exploradores estabeleciam um pouso, com casas rústicas. Plantavam alguma coisa, em geral milho, que lhes pudesse servir de alimento. E partiam para o interior, em busca de ouro e pedras preciosas, como esmeraldas. Deixavam algumas pessoas no lugar.

Às vezes, voltavam. Outras, não: morriam picados por cobras, acometidos por doenças como maleita, flechados por selvagens. Quer voltassem ao ponto de partida, quer não, os que ficavam nas minúsculas povoações tratavam de tornar a vida melhor.

Melhoravam as moradias, ampliavam a área cultivada, inseriam novos alimentos, como a mandioca, estabeleciam a paz com os índios e, antes de mais nada, erguiam uma cruz, lugar onde se reuniam para rezar e que se transformaria no ponto de fundação de próxima igreja.

Uma pequena capela, algumas flores nativas sugerindo jardim, hortas nos fundos das casas, que na verdade eram habitações muito rudimentares. Esse o núcleo do arraial, que nasceu para ser lugar de morada passageira mas se tornou definitivo. Quando festejamos os santos no “arraiá”, estamos nos lembrando de nossa origem.

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