Ele é um dos principais críticos de cinema do Brasil. E adora o que faz. Nesta entrevista exclusiva, realizada pouco antes do debate que mediou na 13ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, no último domingo, dia 16, o jornalista Rubens Ewald Filho, esbanjando bom humor, discutiu um pouco sobre o estilo textual que o tornou conhecido: a crítica de arte.
Comércio da Franca: Há divergência sobre o objetivo da crítica cinematográfica. Uns dizem que é para orientar o público, outros, para aprimorar a arte do cinema. E o senhor, escreve crítica para quê?
Rubens Ewald Filho: Faço desde criança, é uma segunda parte de mim já. É uma coisa que tem dentro de mim de querer compartilhar com os outros as coisas que eu gosto. Tento passar para os outros sentimentos, emoções, ideias sobre o mundo, coisas que estão mudando e as pessoas não notam... Gosto mais de elogiar do que de falar mal, de sugerir um filme ou um ator. E eu levo cinema a sério. Uma coisa engraçada que reflete na minha vida é que muitas vezes já levei amigos para ver filmes. Eles não gostaram e rompi a amizade. Estou parecendo radical, mas é radical mesmo (risos).
Comércio: Suas críticas não falam só do filme, mas também de fatos complementares relacionados a ele, como a carreira de um ator ou a coleção de prêmios conquistados. Qual o motivo de tal escolha?
Rubens: Eu sempre tive a preocupação de ser muito didático. Eu tenho certeza que as pessoas não sabem nada. Se elas não sabem nada agora, há 40 anos, quando eu comecei, sabiam muito menos. Se eu cito um travelling, eu sempre coloco, entre parênteses, o que é travelling, ou até mesmo o que é zoom. Ninguém tem a obrigação de saber tudo. Eu odeio crítico que fala: "Isso é um recorte". Que caralho (sic) que é recorte? Isso é coisa de crítico chato de faculdade. Eu falo para o público, não para a faculdade.
Comércio: Você é mais conhecido pelas seus comentários do Oscar, que são sempre bem-humorados ou ácidos. Por que adotou esse estilo?
Rubens: Eu tento ser o mais sincero possível, e me divirto sempre. Quando eu falo de uma atriz que fez filmes ruins, eu não estou torcendo para acabar com ela. Eu fiquei com dó da outra que caiu [Jennifer Lawrence, que caiu ao receber o Oscar este ano pela sua atuação em "O lado bom da vida"]. Coitada, era um momento tão importante da vida dela! E ela se saiu super bem. Eu vou lá comentar sem maldade, com a mesma sensação que tinha quando era criança e ia para uma festa. Quero que acertem, e torço para eles não fazerem muita bobagem, porque bobagem eles vão fazer.
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