Na alegria e na tristeza


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Existem poucas coisas mais incômodas no mundo do que respondermos uma questão íntima. E nem estamos falando da clássica “cadê seu namorado/namorada?” que as avós e tias distantes adoram soltar assim que colocam os olhos em você. Não estamos falando disso e sim daquelas questões quase filosóficas, mas que, é claro, nos dizem respeito.

Pare o que estiver fazendo agora e reflita por alguns instantes. Até agora, sua vida foi um sucesso ou um fracasso? Há alguns anos, era isso que planejava?

Agora descarte a questão financeira da jogada. Até porque todo mundo conhece aquele exemplo da mãe que cuidou dos filhos sozinha e, quando questionada sobre sua vida, a resposta é um simples, direto e feliz. “Minha vida é boa! Meus filhos estão todos bem encaminhados. Quero mais o quê?”. Na contramão, existe o empresário rico, com esposa, filhos, carros, e trabalho. Apesar do aparente sucesso, ele não para de reclamar de quase tudo que o cerca.

A questão é que existe uma fase na vida em que todo mundo tem motivo para achar que a vida é pra lá de boa ou um completo desastre. Queremos que você apenas saiba como encarar esses momentos e o que tirar de lição deles.

O PERIGO DO ‘MOMENTO’
O grande problema, tanto da fase boa quanto da ruim, é deixarmos nos levar pelo momento. “Como disse Millôr Fernandes: “viver é desenhar sem borracha”. Portanto não temos como prever os momentos em que algo bom ou ruim acontecerá em nossas vidas... e nem mesmo alguns resultados de nossas escolhas, muitas vezes feitas no escuro da nossa mais sincera vontade de acertar”, cita Maria Cherubina de Lima Alves, coordenadora da Clínica de Psicologia da Uni-Facef. “Desta imprevisibilidade da nossa vida, muitas vezes nos deixamos levar pelo momento, avaliando se nossa vida é boa ou ruim por ele. Claro que a nossa vida é feita no cotidiano, mas por ser externo a nós, são situações que são passageiras, e por serem passageiras, não resumem quem nos somos e, mais importante ainda, não deveriam significar se nossa vida é boa ou ruim”.

ALTOS E BAIXOS
Ainda de acordo com a especialista, o livro “Ponto de Mutação” , escrito pelo físico Fritjof Capra, afirma que a vida é feita por ciclos alternados de alta e baixa, sendo que um sempre é seguido do outro, de forma cíclica e alternada. Quando estamos no momento de alta na vida, nos sentimos mais fortes. Mas quando estamos no momento de baixa o oposto acontece. Está comprovado cientificamente que a nossa imunidade cai. Tudo fica pior e nada dá certo. “Mas como Capra coloca no livro, tudo é fase e portanto é passageiro. O que podemos é aprender com as fases, aprender com os momentos de força e de fraqueza - por exemplo: o que nos dá força para encararmos nossos problemas, o que nos dá mais medo, o que nos faz sentir protegidos e aliviados, que comportamentos temos que tem melhores ou piores resultados, entre várias outros possíveis aprendizados”, explica Cherubina. “Compartilhar com amigos e familiares os dois momentos é um ponto que pode nos ajudar a perceber as diversas dificuldades que todos enfrentam, que não estamos sozinhos na nossa vida”. Por não admitirem suas fraquezas, inúmeras pessoas se fecham nestes momentos e frequentemente buscam “refúgio” nas drogas, por exemplo, e em vivências que podem aliviar a tensão, desviar o foco e proporcionar um prazer momentâneo. Então, tenha calma e mantenha a paciência. Um dia o que está ruim vai melhorar. Porém, tenha em mente que o contrário também acontecerá. Prepare-se.

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