Morreu na segunda-feira, dia 17, no Hospital Regional de Franca, o professor e diácono da Igreja Católica de Franca, Michel Astum. Estava internado desde o início deste mês, quando, submetendo-se a exames médicos, diagnosticou-se uma recidiva de câncer. No final da semana passada seu estado de saúde piorou em função de úlcera medicamentosa. Não resistiu a quadro grave de insuficiência respiratória.
Tinha 76 anos. Seus pais foram os sírios João Astum e Sicar Astum Nadur. O casal veio para o Brasil e fincou raízes em Rifaina (SP). Lá, nasceram Jorge, Adélia, Leila. Michel era o caçula.
Em Franca, conseguiu seu primeiro emprego aos 14 anos: carregador de malas da Vasp. Depois, empregou-se na Casa Hygino. À noite, estudava. Formou-se professor. Casou-se com Otília Alves Astum - permaneceram juntos por 46 anos até a morte dela, há 4 anos. Do enlace, cinco filhos (João, casado com Patrícia; Cláudia (casada com Luiz Augusto Moreira Ghedine; Luciana, casada com Fernando Goular Gilberti; Flávia, casada com Carlos Renato Donzelli e Michel Júnior, falecido) e onze netos (Pedro, Samuel, Lucas, Luís Guilherme, Thiago, Bruna, Beatriz, Sophia, Victória, Gabriel e Estevão), motivos de continuada alegria para o casal.
Nunca deixou os estudos. Segundo a família, mesmo atuando por muitas horas como professor, queria mais. Cursou faculdade em Passos (MG) viajando todos os dias, e se especializou em Matemática, ingressando no magistério estadual. Convidado, passou também a ministrar aulas na Escola Pestalozzi, onde chegou, por seus méritos, à direção do conceituado centro de estudos.
Dedicou-se também à política. Integrando o MDB - Movimento Democrático Brasileiro, foi eleito vereador e, na Câmara resultante daquela eleição, estava também Sidnei Rocha. Da convivência e do respeito que nasceu entre eles, Sidnei, já prefeito, o convidou a assumir a Secretaria Municipal de Educação. Michel aceitou e realizou, na área, reconhecida gestão.
Segundo sua filha Cláudia, Michel transferiu aos filhos e a todos que com ele conviveram, o que considerava os pilares de sua vida: a união e a fé. ‘Ele trabalhava muito e, nos finais de semana, quando esperávamos que descansasse, nos levava a atividades de lazer, para não deixar de conviver com a gente. Foi um homem muito família, muito presente em nossas vidas.’
Quanto à fé, tornou-se presente nas atividades da Igreja de Nossa Senhora das Graças, depois de aposentado. ‘Porque tocado por Deus’, como dizia aos muito próximos, ingressou na escola diaconal de Franca (instalada no centro Uni-Facef) e foi ordenado Diácono em 25 de março de 2001. Frei Ditinho, vigário da igreja, disse que ‘Michel foi um homem marcado pelo bom humor, pelo otimismo, pela serenidade e pelo espírito de serviço à comunidade paroquial e demais comunidades. Era incansável. Também atuava, nas segundas-feiras pela manhã, no Narev, de recuperação de drogaditos; como formador, na escola diaconal, e era o diretor espiritual do Serra Clube, de incentivo às vocações sacerdotais.”
Sobre o perfil do pai, Cláudia afirmou que ele era ‘a generosidade em pessoa. Ele era a imagem do ‘serviço’ sempre disponível ao outro. No dia de sua morte, mesmo já respirando com grande dificuldade, continuava alegrando as enfermeiras que o cuidavam, brincando com elas. Meu pai era um homem de Deus.’
Michel foi alvo, nas últimas semanas, segundo a família, de muita oração, e não apenas dos católicos. Tinha amigos nas várias comunidades religiosas da cidade e da região, a quem respeitava e por quem era também respeitado. Segundo Cláudia, ‘esse ecumenismo foi de grande valia para nós, que sofremos durante o período de sua internação. Garantiu-nos paciência e aceitação. Só temos a agradecer por toda a generosidade de que fomos alvo.’
O corpo de Michel foi velado na nave principal da Igreja de Nossa Senhora das Graças durante todo o dia de ontem. Houve missa às 6h30 horas, início do velório; exéquias às 11 horas e missa de ‘corpo presente’ às 15 horas, celebrada pelo administrador diocesano, Monsenhor José Geraldo Segantim. O sepultamento ocorreu às 17 horas de ontem, terça-feira, dia 18, no Cemitério da Saudade.
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