‘Couro Cru’ volta às bancas em nova versão estendida; confira


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Jornalista Antônio Coutinho inclui 120 imagens em nova edição de obra que perfila origens da indústria francana
Jornalista Antônio Coutinho inclui 120 imagens em nova edição de obra que perfila origens da indústria francana

Em um resgate quase quixotesco - que exigiu dois anos para pesquisa e redação -, o jornalista Antonio Coutinho decidiu, sozinho, buscar e contar a história da evolução industrial local entre os anos de 1920 e 1950, na obra que intitulou Couro Cru - Origens do pólo calçadista de Franca. Em sua primeira versão, lançada em 2008, as 214 páginas do livro continham apenas textos, diferente da edição atual, que chegou às livrarias repaginada em 2013. “Agora, são 468 páginas, o que nos possibilitou inserir 120 imagens de personagens e de Franca antiga”, explica o autor. “Houve acréscimo de informação, aumento no formato, mudança na diagramação, no papel; enfim, é uma produção melhor e mais completa do que a primeira.”

Quanto ao plural empregado em suas respostas à entrevista ao Comércio, Coutinho explica que, embora tenha desenvolvido um trabalho solitário, o ‘nós’ soa bem a seus ouvidos. “Uso o plural porque acho uma linguagem menos pretensiosa, menos personalística”, esclarece.

Comércio da Franca - Você é autor de contos e peça de teatro. O que o motivou a mudar seu estilo literário para escrever uma obra histórica?
Antonio Coutinho -
Tivemos a iniciativa de escrever Couro Cru porque não havia uma monografia sobre as origens da fabricação de couro e calçados em Franca, apesar da relevância dessa atividade econômica em nosso município. A linguagem usada é do jornalismo, distinta da ficção literária. Esporadicamente, ainda escrevo contos, mas com a finalidade de exorcizar irritações, aborrecimentos, melancolias... Feita a catarse, os textos são descartados. A escrita tem essa importante função terapêutica.

CF - Durante o trabalho de pesquisas, alguma descoberta lhe causou surpresa?
Coutinho -
Foram duas descobertas surpreendentes. A primeira: todos os estudos acadêmicos afirmam categoricamente que os grandes rebanhos bovinos existentes em Franca em meados de 1830 resultaram em abundância de peles e, consequentemente, na profusão de sapateiros. Demonstramos que isso não ocorreu. Não havia a propagandeada fartura de matéria-prima. Não foi isso que provocou o aumento de sapatarias. Segunda surpresa: atribui-se ao padre Alonso de Carvalho o pioneirismo de fundar o primeiro curtume de Franca - o Cubatão. É uma afirmação oficializada, com trompetes e arautos, mas totalmente equivocada.

CF - Do seu ponto de vista, qual a grande contribuição desta obra?
Coutinho -
A contribuição desse trabalho, suponho, é preservar a memória de pessoas que participaram do desenvolvimento de Franca em determinado período. Mas não sei dizer se essa prestação de serviço é grande, média ou pequena. A resposta fica com o leitor. Outra contribuição é exatamente apontar os enganos nos relatos acadêmicos sobre o passado da fabricação local de couro e calçados e demonstrar a real trajetória dessa atividade.

CF - Qual a maior dificuldade encontrada na concepção deste livro?
Coutinho -
Conseguir patrocínio da iniciativa privada. É muito desgastante. O desinteresse da maioria das empresas e de suas entidades é imenso, acham que o apoio deve partir do poder público -ou seja, dos contribuintes. Não há uma compreensão do que seja responsabilidade social.

CD - E o maior prazer?
Coutinho -
Manter a auto-estima na convivência com pessoas desinteressantes e desinteressadas em tudo que não alimente sua vaidade ou sua conta bancária é sempre prazeroso.

SERVIÇO
Couro Cru
Valor: R$ 35
Local: Bancas e Livraria Pé da Letra
Tiragem: Mil exemplares.

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