No início de mais uma semana, as perspectivas para a economia brasileira para este ano continuam negativas. Os índices e prognósticos dos principais economistas do País continuam mostrando queda na atividade econômica brasileira para os próximos seis meses. Desta forma, enquanto índices inflacionários e a valorização do dólar apresentam curva ascendente, as taxas de crescimento seguem tendência oposta. Na última semana, a presidente Dilma Rousseff destacou que os índices de inflação, câmbio e juros estão sob controle. Na prática, porém, o discurso já não é uma garantia de que a equipe econômica do Planalto está conseguindo manter a estabilidade conseguida a duras penas.
Depois das desonerações a granel, numa tentativa de reaquecer a economia com o estímulo ao consumo — culminando com o programa Minha Casa Melhor, anunciado na semana passada —, o governo já não tem mais pirotecnia capaz de frear a deterioração dos índices que teimam em não ceder. Somente o malabarismo com os números não será capaz de reverter a valorização do dólar e a consequente evasão da moeda norte-americana do mercado brasileiro. Por isso, mais uma vez, se insiste na necessidade de uma ampla reforma fiscal que torne a arrecadação mais justa, poupando os que faturam menos e taxando os que ganham mais. Simples assim.
A presidente Dilma Rousseff precisa deixar de lado a teimosia que se instalou nos ocupantes do Palácio do Planalto pelo menos nas últimas duas décadas. O assunto reforma tributária tornou-se tabu. Embora todos a defendam como inevitável, não há quem se disponha a atacar a situação com a urgência necessária. O contribuinte brasileiro é um dos mais penalizados do mundo — paga os maiores impostos e pouco recebe em troca, em forma de serviços, como Saúde e Educação. A carga tributária alta acaba impedindo a conquista de bens de consumo, fazendo o brasileiro trabalhar cada vez mais para pagar tributos.
Enquanto o governo manteve-se dentro da cartilha neoliberal que tanto criticava, o Brasil apresentou índices positivos nos mais diversos setores. Hoje, a produção industrial vem caindo a olhos vistos, a balança do comércio exterior pende a favor de nossos parceiros comerciais e milhões de brasileiros ainda dependem do assistencialismo governamental para comprarem comida. Esta equação, totalmente desfavorável ao País, precisa ser refeita. A redistribuição de renda é primordial para o nosso crescimento, mas deveria ser feita não com a cornucópia governamental, mas com políticas de emprego que permitam ao trabalhador defender o pão de cada dia — e não esperar que ele caia do céu. Então, o País deveria se preocupar um pouco mais em promover a justiça tributária. Descruzar os braços, deixando de sonhar com uma utopia ainda distante, e partir para a ação é o que todos esperam para que o Brasil possa retomar o caminho do crescimento.
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