Perdão infinito


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Com a graça de Deus estamos vivendo outro domingo: o dia do Senhor.

Deus nos fala através das leituras da missa, que nos ama tanto que oferece sempre o seu coração misericordioso para nos salvar. Vejamos o que Deus nos ensina hoje. Os textos bíblicos são 2º livro de Samuel 12, Gálatas 2 e Lucas 7.

1ª LEITURA — 2º LIVRO DE SAMUEL 12
Davi não era de maneira alguma um santinho, era um homem violento e vingativo. Entre os seus muitos pecados, o que nos é narrado na leitura de hoje não é o mais grave, mas é o mais conhecido: o adultério com Betsabé e, para ocultar a sua malvadeza, o assassinato do marido dela, Urias, o hiteu.
Ao tomar conhecimento do crime cometido pelo rei, o profeta Natã, amigo da família, foi visitá-lo e, fingindo não saber o que tinha acontecido, começa a contar a famosa história da ovelha pequenina. Davi acompanha com muita atenção a narrativa e no fim, indignado contra aquele que roubou e matou a ovelhinha do vizinho, declara: ‘O homem que fez isso, merece a morte!’
Natã, dedo em riste, o aponta contra Davi e exclama: ‘Tu és este homem!’. O profeta prevê que na família de Davi nunca acabarão os ódios, as lutas, as violências, o sangue derramado. Estas últimas palavras devem ser bem interpretadas. Não é Deus que desperta ódios familiares para castigar o pecado. É o próprio pecado que provoca desastres.
Nós também podemos constatar como é verdade tudo o que o profeta afirma. Pensemos, por exemplo, quantos ‘castigos’, quantas desgraças uma infidelidade conjugal pode provocar.
Todos sabemos como é difícil, depois de uma traição, reconstruir a paz e a harmonia familiar, reconquistar a confiança entre marido e mulher, Deus, porém, não abandona ninguém na dramática situação na qual veio cair. Com efeito, depois de ter falado de desgraças. Natã termina a sua profecia com uma mensagem de esperança. Diz a Davi: ‘O Senhor perdoa o teu pecado: tu não morrerás!’. Esta sempre é a última palavra de Deus: o perdão, não a ameaça.

2ª LEITURA — GÁLATAS 2
Uma das idéias mais arraigadas na cabeça de muitos cristãos, também em nossos dias, é que entrarão no céu só aqueles que o tiverem conquistado com suas boas obras.
Assim também pensavam os fariseus no tempo de Jesus. Muitos deles se converteram ao cristianismo, mas não abandonaram esta maneira de interpretar a religião e as introduziram também na Igreja primitiva e difundiram por toda parte estas suas convicções.
No trecho de hoje Paulo alerta aos gálatas, que acreditaram nas lorotas desses fariseus que se tornaram cristãos, que Deus dá ao homem a salvação de maneira totalmente gratuita. Não somos nós com nossas boas obras, que conquistamos o paraíso, mas é ele que permite que sejamos bons, comunicando-nos o seu amor.

EVANGELHO— LUCAS 7
Lucas, com freqüência, nos apresenta Jesus sentado à mesa. Ele entra na casa de todos, aceita convites dos ricos e do pobres, dos que têm saúde e dos doentes, sem qualquer preocupação com as normas rigorosas de pureza legal estabelecidas pelos guias espirituais do seu povo. Para ele todos os homens são puros.
Hoje o encontramos na casa de um fariseu portanto, num ambiente moralmente elevado. Estão sentados à mesa e a conversa já está no rumo certo quanto, de repente, aparece na sala uma mulher da vida fácil. Tem nas mãos um pequeno vaso, olha ao redor, procura Jesus entre os comensais e, tendo-o localizado, dirige-se decididamente na direção dele. Não fala uma única palavra. Prostra-se em prantos aos seus pés, toma-os nas suas mãos e pouco depois as suas lágrimas banhavam os pés do Mestre e ela os enxugava com os seus cabelos, cobria-os de beijos e ungia-os com o perfume que tinha trazido consigo.
Por que procurou Jesus? Para manifestar-lhe a sua gratidão. Desde o seu primeiro encontro com ele, tudo mudou nela: as suas palavras produziram nela o milagre. Desde o momento em que viveu a experiência do perdão, começou a construir uma vida fundada no amor.
O fariseu ficou pensando em seu coração: ‘Se este homem fosse um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é uma pecadora’.
Então, Jesus virou-se para mulher e disse a Simão. ‘Estás vendo esta mulher? Quando entrei em tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés: ela, porém, banhou meus pés com lágrimas e enxugou-os com os cabelos. Tu não me deste o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. Tu não derramaste óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume.
Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco, mostra pouco amor. Depois Jesus disse à mulher: ‘Teus pecados estão perdoados’. ‘Tua fé te salvou. Vai em paz!’
O perdão de Deus não tem limites: não importa quão profundo é o lamaçal de nossos vícios o Senhor sempre estende sua misericordiosa mão para nos resgatar e nos devolver a pureza de filhos seus. Amém!

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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