Mesmo sem conhecerem todas umas as outras, 480 pessoas vestem o mesmo uniforme por um só objetivo: levar conforto e ajuda a quem passa por momentos difíceis e sabe que a própria vida corre risco. Os “anjos” de jaleco rosa são os integrantes da ONG Voluntários da Saúde de Franca, que atua na Santa Casa e Hospital da cidade. A ONG é francana e foi fundada em agosto de 2001, antes mesmo do hospital. “Hoje, temos muitos jovens e homens atuando, mas a maioria é formada por mulheres e aposentados. Temos muito orgulho de vestir esse rosa”, diz a presidente da entidade Ângela Maria Braga.
Os trabalhos da ONG incluem desde orações até empréstimos de perucas para pacientes que sofrem efeitos colaterais do tratamento. No Hospital do Câncer, as atividades têm maior abrangência. Ali funcionam as divisões do lanche, do entretenimento, do espaço saúde, brinquedoteca, apoio espiritual, recepção e estética. Já na Santa Casa os trabalhos se resumem à recepção, apoio espiritual, entretenimento e brinquedoteca. “Os voluntários que cuidam do lanche são responsáveis por preparar o café, leite, bolo, biscoito, entre outros alimentos, e distribuí-los aos pacientes e parentes na recepção do hospital”, disse Ângela. “Também entretemos os pacientes da quimioterapia e da Santa Casa com bingos. A intensão é tirar o foco da situação. No espaço saúde distribuímos cestas básicas e hortaliças aos pacientes carentes [com encaminhamento da assistente social]. Na brinquedoteca temos uma estrutura com TV, computador e vídeo game.”
A equipe do apoio espiritual passa de quarto em quarto se disponibilizando a fazer orações. “Não se fala em religião, somente em Deus.” Já os voluntários da recepção são responsáveis por prestar auxílio a quem chega: buscar uma cadeira de rodas, exames e o que mais lhe for pedido.
Para finalizar, a ONG possui um pequeno espaço onde um cabeleireiro voluntário atende. Ali, ele presta serviço aos pacientes que querem raspar de vez os cabelos em queda, devido ao tratamento, ou aos que precisam melhorar a autoestima.
Ainda na área de estética, outra voluntária produz lenços de seda e ensina modos diferentes de usá-los na cabeça. Quem preferir pode pedir emprestada uma das perucas da ONG, que deve ser devolvida quando os cabelos voltarem a crescer. Também no setor são produzidas próteses mamárias, espécie de bojo que se ajusta ao sutiã. Elas são feitas sob medida para as pacientes que perderam a mama em tratamento contra o câncer e não possuem condições de refazê-la com cirurgia.
Para se manter, a ONG promove sempre em novembro o Grande Bazar, preparado pelos voluntários o ano todo. Além disso, recebe doações. A ONG precisa de R$ 15 mil mensais para se manter. É válido ressaltar que também são doados caros suplementos alimentares aos pacientes mais carentes.
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