Colunista que se preza não escreve sobre assunto passado. É assim que se faz: fala-se sobre o que vai acontecer, sobretudo, o acontecimento próximo, naquela semana por exemplo. Falar sobre evento passado é fazer o leitor ter aquela sensação de desatualizado, que traz certa melancolia ao ver anunciado algo que já passou. Somos impelidos a pensar para frente, à frente. Somos ansiosos pelo próximo evento, como se ele contivesse todo o bem da vida que necessitamos para sermos felizes. Então, julgo que ler sobre o Dia dos Namorados, hoje, seja chato, mas queria falar sobre o outro lado, não sobre as expectativas - e para isso era preciso deixar passar para contar.
Pois bem, para os restaurantes não existe data mais festiva e empolgante que o Dia dos Namorados. Nunca haverá mesas ou atendimento suficientes para suprir a demanda de tanto amor, tivéssemos nós um restaurante dez vezes maior, ainda assim, ele lotaria. Já pensei em alugar as casas todas da vizinhança - brincadeira, claro.
Recebemos aqui, no Azul, nos últimos dias, incontáveis pedidos de reserva. A primeira reserva para o dia, nesse ano, foi feita ainda em janeiro! Com isso, estávamos praticamente lotados 20 dias antes da data. E aí começamos a colecionar maneiras diferentes utilizadas pelos clientes dispostos a conseguir aquela mesa, tão singela, quase sempre disponível, mas que nesse dia se transforma em troféu do amor.
Tem o modelo que tenta de modo descontraído pedir uma reserva como se fosse para um dia qualquer, assim quem sabe, ao invés da reserva para o Dia dos Namorados, requer-se apenas uma reserva para “essa quarta-feira”. Tem o modelo que se identifica com a máxima descrição de suas credenciais, sejam elas intelectuais, familiares, e após a apresentação pressurosa requer a tal reserva. Tem o modelo que até pede pelo amor de Deus, porque se esqueceu e agora sua vida e seu amor correm perigos. E tem alguns homens, já aborrecidos, que ligam atrás do simples cumprimento da obrigação, e ao ouvirem a negatória do outro lado, simplesmente dizem: me esqueci dessa droga, cara! Não é a toa que nossa garçonete - minha irmã -, esse ano acabou por arrematar: afinal, não é o Dia dos Namorados, mas sim o Dia da Namorada.
Imagino que haja essa comemoração na maioria dos países, em alguns com viés mais abrangente. No Brasil, o primeiro Dia dos Namorados foi comemorado em 1953, organizado por comerciantes paulistas. A escolha do dia não foi aleatória: o 12 de junho antecede o dia de Santo Antônio (1195-1231), tradicional casamenteiro, mas também protetor dos apaixonados. O dia foi criado, óbvio, como pretexto para que as pessoas amadas sejam presenteadas e demonstrem explicitamente o seu amor. Por isso, o pacote completo inclui o jantar romântico. E é aí que a gente entra...
Nós, o outro lado, na tentativa da almejada invisibilidade que só se alcança com a perfeição dos serviços, sofremos e nos divertimos muito nesse dia. Por sorte, como mulher, nunca considerei essa data com meu amor, Luís Henrique. Mas confesso que acabo por me encantar com a arrumação do cardápio, da comida e do salão. Pensar em cada um dos detalhes, trabalhar 19 horas seguidas, provar o molho, acertar a leveza do nhoque, a beleza da sobremesa, pode parecer muito cansativo, e é, mas muito compensador, porque a gente acaba entrando para a história de alguns amores. E embora a preocupação, de todos os integrantes da cozinha, seja imensa, não deixamos de perceber o acender, o derreter e o apagar das inúmeras velas do salão.
DICA DA SEMANA
Batatas
Dentre muitos alimentos que consumimos diariamente, a batata talvez seja uma das maiores estrelas, por seu sabor, versatilidade e valor nutritivo. Batatas já alimentaram toda uma Europa famélica.
Quero hoje passar uma dica deliciosa e que ainda evita o desperdício.
Quando for fazer purê, ao invés de descartar as cascas, tente fazer um delicioso aperitivo. Para isso, há que se tomar cuidado com as cascas.
Vamos à receita: corte a batata em quatro e retire a polpa das cascas deixando um pouquinho de batata, o suficiente para que a casca tenha sustentação.
Transfira as cascas para uma tigela e tempere com sal, óleo e pimenta do reino moída na hora. Em seguida, numa frigideira teflon, grelhe as cascas, viradas para dentro, por dois minutos. Revire as cascas e salpique queijo e cheiro verde e espere mais dois minutos ou até o queijo derreter.
Essas casquinhas poderão ser comidas puras ou como suporte para o patê de sua preferência. Elas ficam bem saborosas.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.