Igreja de Ituverava só abre três vezes por ano por falta de recursos


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Idealizada para ser um dos símbolos da Folia de Reis e um potencial cartão postal para a cidade de Ituverava (SP), a Igreja dos Três Reis, no Jardim Guanabara, vem sendo construída há 14 anos, e não tem sequer previsão de quando ficará pronta. Hoje, ela é aberta só três vezes por ano. Entre a falta de recursos do grupo responsável pela construção - que não tenta mais levantar fundos - e a falta de apoio, como da Igreja Católica, o templo vai sendo levado em “banho maria”.

Para quem não conhece, a igreja parece até abandonada. Atualmente, ainda faltam estruturas essenciais, como uma parte da fiação elétrica, pisos, vidros nas janelas e a porta principal, que é vedada apenas por tábuas de madeira. Na cerca de arame farpado em volta do templo até pés de chuchu crescem. Materiais de construções amontoam-se no terreno ao lado do imóvel.

Atualmente, a igreja inacabada é utilizada apenas três vezes por ano. Ela é aberta no dia 12 de dezembro, data que marca o início das comemorações da Folia no município e simboliza a viagem dos reis magos. Em seguida, o grupo passa de casa em casa, cantando, louvando e arrecadando doações. Os festejos acabam em 6 de janeiro com a chegada da Bandeira ao templo; é o fim da “viagem”. No segundo sábado do mês de janeiro, é feita uma festa gratuita na igreja com os comes e bebes coletados. Somente esse evento atrai mais de mil pessoas.

Apesar de ser católico, o templo está sendo construído por um grupo independente, responsável pela festa de Folia de Reis, que é tradicional na cidade. Um dos idealizadores da empreitada é o pedreiro Eurípedes Barsanulfo de Castro, 64. “Cidades vizinhas têm a Igreja dos Santos Reis. Conversa vai, conversa vem, resolvemos fazer uma igreja em Ituverava, porque nosso grupo já tinha uma tradição de fazer a festa de Folia de Reis. Ela, então, passaria a ser a sede dos Santos Reis aqui”, disse Eurípedes.

Os recursos para a realização da obra são conseguidos em apresentações do próprio grupo, além de doações esporádicas da população. Além disso, Eurípedes não tem procurado ajuda nem da Igreja nem do poder público. Ele afirma que prefeitos anteriores lhe negaram ajuda. Os vereadores, na opinião do pedreiro, só prometem e não cumprem. Já a Igreja não se interessou em investir. Eurípedes também não tem controle do quanto já foi gasto na construção e de quanto precisa para concluir a obra, mas acredita que ainda faltam 30% da igreja por fazer. “Não estamos procurando ninguém mais não, já cansamos. A gente vai apanhando, apanhando, então paramos antes de acabarmos mortos”, disse Eurípedes.

TURISMO
Assim como Eurípedes, os vizinhos da Igreja dos Três Reis esperam ver, um dia, a obra pronta. “É uma judiação, porque aqui é um ponto bonito para termos uma igreja acabada. A cidade nasceu nessa área, então ela deveria ser valorizada”, lamenta a vendedora Nilza Desenso, 43.

“Eu sempre quis que dessem um acabamento [na Igreja]. Vai ficar mais bonito, mais chamativo para os turistas. Porque está toda malfeita e bagunçada. Moro do lado da igreja e queria que ficasse mais enfeitada para que a minha casa fique mais bonita”, disse a dona de casa Odília Santos, 60. “As pessoas do grupo são todas humildes, e eles mesmos têm que ficar pedindo para construir. A igreja e a Prefeitura, deveriam investir. A Igreja viraria um ponto turístico, com certeza”, disse a pensionista Leila Ribeiro, 50.

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