Sábado passado registrei o número de CNHs expedidas em abril e maio deste ano: 2,3 mil, média de 1150 ao mês!
Muitos se assustaram, inclusive gente do setor de trânsito. Alguns ficaram absurdados: numa conta simples - que nem considera dados plenos de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro - são cerca de 11,5 mil novos condutores (alguns ‘tiram carta para carro e moto’, o que reduz o número final) soltos nas ruas para adquirir experiência ‘gerreando’ com cerca de 220 mil veículos e 330 mil habitantes desta cidade! Números assustadores! É algo como querer que uma criancinha não ponha a mão em panela quente, não enfie dedos nas tomadas, não desrespeite os mais velhos, não jogue lixo no chão, não beba o que não pode beber.
Qualquer ser humano leva tempo para se adaptar ao meio que frequenta. E, convenhamos, o trânsito francano não é um meio equilibrado, capaz de receber novatos com educação ou respeito. Basta ver como motoristas ‘experientes’ olham de esgueio os avisos “Tenha paciência. Um dia, você foi aprendiz”, estampados em carros de auto-escolas. Aliás, não apenas olham. Dão um jeito de sair de perto rapidamente, ‘para se safarem’, como se diz por ai.
Quando o ‘autorizado’ ganha as ruas, o acidente possível também, democrático, se apresenta à sua inexperiência. Vale para todos, tanto para quem se julga o melhor piloto da terra, para o condutor ético e para quem, como o novato, fica em dúvida sobre parar no meio da avenida quando camburões que conduzem presos a audiências no Fórum ameaçam passar por cima dele.
Leitor contestou minha afirmação sobre ser ‘mole’, passar em exame ‘de carta’. Disse: ‘os exames são pautados pela Portaria Detran 540/99 (Art. 64) e posteriores modificações, e se o candidato cumpre todos os requisitos, não há motivos para reprová-lo. Não existe reprova ‘à bem do trânsito’. O que podemos discutir, e ai concordo com o colunista, é que os requisitos sejam mais rigorosos e exijam conhecimento maior dos candidatos. Sobre o número de habilitados e a velocidade em que as CNHs são emitidas, não podemos barrar ninguém que preencha todos os requisitos para se habilitar nesta cidade (ser maior de 18, saber ler e escrever, ter domicilio nesta cidade, entre outros)”.
Respondi dizendo que a questão é prática: o que se pede para formação de novo condutor é pouco, praticamente nada. Há quem, na primeira ocorrência de stress, enfiam o pé no acelerador ao invés do freio. Convidei-o a verificar estatísticas de acidentes com vítimas ou mortes. Quem causa, ou se envolve, ou está alcoolizado, ou sem reflexos, ou desatento, ou - as estatísticas demonstram - sem experiência.
Ele escreveu de novo. Disse que ‘quem examina está amarrado pela portaria. (Afirmo-lhe ao colunista que) o desejo de todos os examinadores é que o exame fosse mais difícil, que exigisse mais do candidato, mas, não é assim”. Completou, corajosamente: “a formação dos alunos é mecânica demais. Literalmente, apenas aprendem a passar no exame. Raros são os instrutores que formam motoristas para o trânsito, e isso, por incrível que pareça, consegue-se saber no momento em que o candidato senta no banco do carro”. Mais leitores conscientes assim, o assunto tomaria o vulto que precisa tomar.
Nem é preciso dizer mais. O trânsito que mata mais que muitas guerras somadas é outro filho bastardo de legisladores acomodados que votam sem critério e não ajudam, em nada, o país melhor que temos que construir. Aliás, sempre sábio, o povo lembra: ‘se ‘podemos ganhar, por que perder?’
TAPA NA CARA
Por exclusivo mérito de legisladores distantes da realidade, está solto o ‘ladrão pescador’, que ‘limpou’ lojas utilizando canos para ‘pescar’ o que queria. Confessou assaltos, levou os policiais aos locais e, pasmem, deu dicas sobre segurança a quem quis ouvir. Posou de astro. A lei que obrigou a polícia a investigar e a chegar até ele, também obrigou a justiça a soltá-lo, para responder em liberdade! É deboche, mas é a lei. O pior é que não adianta gritar com os eleitores, para que pensem melhor quando votarem. Ninguém dá bola. O Brasil continua avançando em direção a um futuro escuro, de bandidos protegidos e cidadãos amedrontados. Dá vontade de mandar a ética e a vergonha na cara, às favas!
RÁDIO, E OPINIÃO
Falei esta semana sobre rádio e opinião a professores integrados a oficinas sobre uso de meios de comunicação em sala de aula, ação do programa Jornal Escola deste GCN. Conversamos sobre o estímulo à imaginação, marca do rádio, e sobre experiências que podem acontecer nas escolas sobre esse poderoso meio de comunicação. Sobre opinião, utilizei a seção de cartas deste Comércio, termômetro que demonstra a intensidade do impacto de informações que disseminamos, sobre nossos leitores. Conveniamos sobre estimular alunos a não se contentarem só em possuir informação. É preciso ter opinião. Agradeço-lhes por suas atenções
CLÁUDIO BORGES
A Associação Sabesp de Franca está, novamente, sob o comando de Cláudio Antônio Borges, que foi diretor administrativo da Superintendência de Franca e, depois, diretor de área na Sabesp estadual. É um excelente administrador e um homem bom, que pensa mais nos outros que em si próprio. Há alguns anos, conseguiu um moderno ginásio coberto para o espaço do clube. Seus companheiros deram, ao estádio, o nome ‘Borjão’, em merecida homenagem a seu presidente. Aposentado na Sabesp, Cláudio fixou residência em Franca. Este ano, o procuraram com convite para que voltasse. Ele aceitou. Pode-se esperar novidades. Aproveito e conto: dia 17, a conhecida escolinha de futebol da associação vai premiar, no Teatro Municipal, jovens destaques, incentivando-os à continuidade. Sabem qual o principal critério da escolha? Ter notas muito boas onde estudam. Não é o máximo?
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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