Atravessar uma rua pode parecer algo banal, mas para os moradores e comerciantes das ruas São Paulo e Minas Gerais, isso tem se tornado uma tarefa difícil. Eles afirmam que o fluxo de veículos nas vias aumentou muito devido à instalação de semáforos na avenida Brasil no ano passado. Os acidentes também se tornaram mais frequentes: de acordo com dados da Polícia Militar, o número de ocorrências (com vítima, sem vítima e atropelamentos) somadas das duas ruas subiu de um ano para outro. Em 2012, a média de ocorrências era de quatro ao mês. Já neste ano, até abril, a média mensal é de 6,25, representando um aumento de 56,25% em relação ao ano passado.
As estatísticas sugerem que parte dos acidentes da avenida Brasil migrou para as duas ruas paralelas, já que as ocorrências com vítima, sem vítima e atropelamentos caíram aproximadamente 25% nessa via: a média mensal de acidentes na avenida era de 11,7 em 2012 contra 8,75 neste ano. Apesar dos dados, as ruas não deverão passar por mudanças (leia texto nesta página).
No mês passado, a reportagem do Comércio visitou a Minas Gerais e a São Paulo, e flagrou carros em alta velocidade em ambas. De acordo com os moradores, essa é uma realidade comum, principalmente no final da manhã e da tarde. A imprudência dos motoristas é tanta que o comerciante Donizete Lemos Soares, 57, chegou a coletar mil adesões em um abaixo-assinado, pedindo semáforos para a Minas Gerais. Ele entregou o documento a vereadores da Câmara Municipal, mas, até agora, nada foi feito. “Depois que encheram a avenida Brasil de semáforo no ano passado, isso aqui virou um inferno. Essa rua é muito perigosa, eles chegam a passar dos 80 km/h. Virou pista de corrida”, disse. “Aqui tem muito acidente, já fiquei segurando muitas vítimas até o resgate chegar.”
“Nessa esquina [da Minas Gerais com a rua Rio Grande do Sul] acontece muito acidente, porque colocaram um semáforo na avenida Brasil. Aí, os carros começaram a passar tudo por aqui. Isso aqui é uma tristeza, os acidentes que acontecem caem na minha calçada. Uma amiga minha morreu atropelada há uns três meses no cruzamento da Minas Gerais com a Alagoas. Fico com medo de entrarem na minha casa, porque eu moro na esquina”, afirma a dona de casa Regina Célia da Silva, 48.
Os funcionários de uma escola particular, que atende desde bebês de um ano e meio até jovens de 17 anos, da Minas Gerais também estão apreensivos. “O pessoal não respeita [as normas de trânsito] e desce a rua correndo. Acontece acidente direto aqui. A situação é muito preocupante, porque a qualquer hora um carro pode invadir a calçada e pegar um aluno”, disse o porteiro Jurandir Ribeiro, 41.
A situação na rua São Paulo não é diferente. “O trânsito aqui é violento e perigoso. Quem tem mais idade, como eu, tem uma dificuldade danada para atravessar nos horários de pico”, reclamou o metalúrgico aposentado Emílio Alves do Nascimento, 60.
O secretário municipal de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli, explicou que os dois conjuntos de semáforos instalados na avenida Brasil no ano passado foram necessários. “Eles seguram o trânsito da avenida Brasil. Antes, era um acidente atrás do outro. Estamos colocando recursos para todos circularem com segurança.”
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