Durante a 13ª Feira do Livro de Ribeirão Preto, no último dia 8, o escritor Pedro Bandeira levou mais de mil espectadores ao Theatro Pedro II. Sob a mediação da presidente do Conselho Consultivo do GCN, Sonia Machiavelli, Bandeira partilhou ideias com a plateia que reuniu desde crianças menores de 10 anos a senhores acima dos 60. “Quando o público é tão misto fica ‘duro’ falar de um modo acessível a todos. Mas a gente tenta”, disse, bem humorado, o escritor à reportagem.
Por volta das 11 horas do último sábado, o anfiteatro do Pedro II já se encontrava ocupado. O público, que aguardava a entrada de Bandeira ao palco, foi recepcionado por Sonia Machiavelli, que fez uma breve introdução sobre a trajetória do convidado. “É o ficcionista mais lido por crianças e jovens brasileiros nas últimas três décadas”, disse a mediadora. “Tem mais de 80 títulos publicados; 22 milhões de livros vendidos e, como consequência, outros tantos milhões de leitores”, completou evidenciando o alcance da obra do convidado.
Com a palavra, Pedro Bandeira voltou aos tempos de colonização no Brasil para, assim, traçar um paralelo entre a evolução do País e a leitura. “Ficamos atrasados porque não sabemos ler e, muitas vezes, quando sabemos, não conseguimos entender o que estamos lendo.” Citou como exemplo de analfabetismo funcional, a incompreensão dos discursos políticos veiculados na mídia, inacessíveis a boa parcela da população. “Elegemos políticos esperando que eles façam o Brasil evoluir, mas quem faz um país não são os políticos, são as pessoas!” disse arrancando aplausos e gritos de aprovação dos presentes.
Entre assuntos sérios, couberam momentos de pura descontração e um gran finale com direito à anedota de Pedro Malazartes, que foi a deixa para a mediação das perguntas que proliferaram. “Por algumas perguntas eu já esperava”, afirmou Sonia. “Outras, por exemplo, foram uma boa surpresa - como no caso da questão da exigência de certas leituras por parte das escolas e vestibulares. Tudo o que você é ‘obrigado’ a fazer, vem com travo e eu compactuo com a solução que ele encontrou para que o jovem seja introduzido de um modo mais simpático à leitura: trabalhar alguma característica do livro capaz de atrair esse público, em lugar de apenas exigir que ele leia.”
Da plateia, assediado por alguns presentes que o reconheceram após a palestra de Bandeira, esteve o também escritor Menalton Braff. Para ele, o teor do que foi discutido tem profunda relevância, mas destacou o que despertou sua atenção. “Um ponto importante foi ele ter dado destaque à literatura como início para o gosto pela leitura. Eu tenho sido muito contestado quando digo isso e, de repente, eu ouço a mesma ideia vinda dele. É o que eu penso: ninguém dá a uma criança, para que ela desperte o interesse pela leitura, um livro de geometria, por exemplo. A base é a literatura!”.
INESPERADO
Depois de encerrar sua palestra e o momento para autógrafos dentro do Teatro Pedro II, Pedro Bandeira foi surpreendido pela presença de duas pequenas irmãs, de 3 e 6 anos de idade que, timidamente, ocuparam seu colo e recitaram versos em que narravam a chegada do mais novo membro de sua família. O enredo dava conta de que, para distraí-las enquanto a mãe ocupava-se com os preparativos do nascimento de seu terceiro filho, a avó das meninas dedicava-se a contar histórias assinadas por Bandeira. Atento, o escritor pareceu esquecer-se das distrações ao redor. “Tirem um foto nossa, por favor!”, pediu. Mais que depressa, o pai orgulhoso acatou o pedido. “Me envia, eu quero ter isso”, disse enquanto anotava seu e-mail em um pequeno balão de papel. “São essas coisas que me motivam a continuar.”.
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