Quem nos livra da barbárie?


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Estamos vivendo um tempo de barbárie. Todos os dias ficamos à frente de fatos que nos deixam preocupados com o futuro, caso nada seja feito para que a sociedade retome a tranquilidade e volte a se sentir segura. Pois agora, vemo-nos à mercê de uma selvageria que se dissemina, na maioria das vezes promovida pela marginália que só cresce e para a qual não há uma esperança de freio. Desta vez, um analista financeiro de 50 anos teve o corpo queimado durante um assalto na noite de sexta-feira, 7, na zona sul da capital paulista. Os criminosos acharam que o analista tinha pouco dinheiro. Eles também atearam fogo no carro da vítima, que conseguiu fugir e ser socorrida. O homem (cujo nome não foi divulgado a pedido da família) permanece internado. Já é o terceiro caso de vítimas incendiadas após assaltos em menos de dois meses. Dois dentistas, em São Bernardo do Campo, no ABC, e em São José dos Campos, morreram após ataques como esse.

Nunca é demais frisar que, enquanto não houver uma contrapartida à altura por parte da Justiça ainda continuaremos acompanhando essa violência desmedida, onde se morre por não ter dinheiro. Chamou a atenção uma orientação da Secretaria de Segurança do Estado da Bahia, tempos atrás, que pedia à população que sempre andasse com dinheiro para atender aos assaltantes. Não é essa a resposta que o brasileiro espera hoje. Ele quer ver marginais presos, segregados da sociedade, intentando que vidas sejam poupadas nesta verdadeira guerra urbana que se trava nas ruas de todas as cidades do País.

Que pena merece uma jovem de 17 anos a qual confessou ter matado a própria mãe com um golpe de luta só para ficar com o dinheiro do seguro de vida (R$ 15 mil reais)? E o rapaz de 17 anos que matou a dentista queimada em São Bernardo do Campo porque ela só tinha R$ 30 na conta bancária? E o outro, da mesma idade, que matou um estudante a sangue-frio, com um tiro na cabeça, mesmo depois da vítima entregar o seu celular? De acordo com as leis brasileiras, eles passam no máximo três anos internados em instituição especial e, ao sair, têm a ficha limpa como se nada tivesse ocorrido.

A reformulação do Código Penal Brasileiro — que data da década de 1940 (ou seja, com cerca de 70 anos) —se desenrola há mais de um ano. Exige-se urgência na sua formulação, pois é preciso colocar um ponto final na frieza e tranquilidade destes marginais sádicos e insensíveis que agem impunemente em razão de um Código de Defesa da Criança e do Adolescente que lhes garante direitos sem exigir quaisquer deveres. Nem a diferença de um dia para a maioridade é capaz de exigir a sua responsabilidade. E com certeza, já adultos, continuarão com a mesma índole marginal.

Enquanto defensores destes que se intitulam ‘de menor’ continuarem insensíveis aos anseios da sociedade e ao sofrimento dos familiares e amigos das vítimas — que também passam por momentos de terror com a ação destes bandidos —, não há nada além de se fazer do que lamentar e torcer para que não sejamos surpreendidos pela criminalidade. É urgente uma mudança de postura, que permita sentenciar com rigor os crimes hediondos, para que tenhamos alguma tranquilidade. Só assim voltaremos a ter certa sensação de segurança.

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