Mercado rentável e alta procura fazem número de salões ‘explodir’


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Karina Venâncio atende Maria Cecília Adão no salão que montou no Jardim Marambaia no início deste ano
Karina Venâncio atende Maria Cecília Adão no salão que montou no Jardim Marambaia no início deste ano

A cabeleireira Karina Venâncio, 37, sempre sonhou em ter o seu próprio salão. Só que antes de se tornar uma empresária, ela trabalhou no setor calçadista como planejadora, depois fez três vezes o curso básico de cabeleireira e após experiência de dois anos em um salão da cidade, montou o seu próprio negócio. “Na primeira vez [que fiz o curso], você está cru; da segunda, já tem mais prática, mas ainda tem dúvidas, e da terceira, melhora”, disse Karina.

Durante todo o ano passado, para não depender de empréstimos, tudo que ganhava no salão que trabalhava investia no seu próprio estabelecimento. O sacrifício valeu a pena: no começo do ano, Karina inaugurou o seu salão, o Karina Venâncio Cabeleireira, no Jardim Marambaia, e comemora a conquista.

“Gosto muito de trabalhar com outras pessoas, mas só o fato de ter o seu próprio negócio, apesar das despesas que se tem, me faz sentir, finalmente, realizada. A pessoa não pode parar de sonhar e de ter persistência”, afirma a empresária. “Durante a semana, o movimento é fraco, mas, quando vai chegando o final de semana, o pessoal vem. Já tenho clientes fixas, e a propaganda de boca a boca tem funcionado.”

Karina, que trabalha com sua mãe, Dejanira, 59, também continua disposta a aprender: ela faz atualmente um curso de aperfeiçoamento e não perde uma feira da profissão, como as realizadas em São Paulo e Ribeirão Preto.

Karina faz parte de uma realidade cada vez mais aparente na cidade. Segundo dados do Cadastro Físico da Prefeitura, o número de cabeleireiros e salões de beleza triplicaram em Franca, passando de 416 em junho de 2003 para 1.258 atualmente. Só de julho de 2012 para cá, foram 158 novos estabelecimentos e profissionais cadastrados. O banco de dados municipal não leva em conta fechamentos ou pessoas que abandonaram a profissão.

Um dos mais jovens cabeleireiros a integrar a lista é Pedro Vinícius Ramos, de apenas 23 anos. Ele seguiu os passos da mãe, que era cabeleireira e trabalhava em casa. “Comecei a me interessar. Aí, aos 19 anos, fiz o curso no Centro Comunitário no Leporace e, quando terminei, fui para São José do Rio Preto fazer cursos de aperfeiçoamento e trabalhar em um salão grande para adquirir mais experiência. Fiquei lá seis meses”, diz.

Um ano depois, Pedro abriu seu salão, que ficou um ano em situação irregular e hoje, assim como o de Karina, faz parte do programa MEI (Microempreendedor Individual). O local ganhou o nome de Pedro Vinícius Imagem Pessoal, e está localizado no Jardim Portinari.

Para se tornar um empresário, Pedro assistiu palestras e fez dois empréstimos ao Banco do Povo, que já foram pagos. “É gostoso ser empresário, porque é uma área de que gosto, mas é uma responsabilidade maior”, afirma. “A demanda de mercado é muito grande, muita gente está procurando este serviço. Está muito fácil entrar no mercado, porque tem muitos cursos.”

CAPACITADORA
Os cursos profissionalizantes foram a porta de entrada para Karina e Pedro no mercado de trabalho. Do outro lado do espectro, a dona do salão MB Cabelo & Corpo, Márcia Bartocci, ministra cursos de aperfeiçoamento em seu estabelecimento há cerca de três anos. “Tem gente que acha que ensinar é perder clientes. Passar a vida sem ensinar é passar a vida em branco”, afirma Márcia.

Ela vê pontos tantos positivos quanto negativos em relação ao aumento no número de cabeleireiros. “No Brasil inteiro estão descobrindo que o mercado de salões é rentável. Esses novos estabelecimentos oferecem preços acessíveis. No entanto, as pessoas que trabalham num salão médio e grande às vezes se deslumbram. Aprendem tudo com a gente, montam seus próprios salões e, muitos, por falta de preparo, acabam nadando, nadando e morrendo na praia”, afirma.

Márcia faz outro alerta, para que os novatos atentem à qualidade dos serviços que oferecem. “Perdemos clientes apenas por um período, porque elas vão atrás de preço. Com o passar do tempo, elas acabam voltando para nós em busca de melhor atendimento. Não me preocupo nem um pouco com essa nova concorrência, porque prezo pela qualidade”, diz.

Quer abrir seu salão? Márcia sugere que você busque conhecimentos, inclusive na área administrativa, porque ter um salão não é só “pegar uma tesoura e cortar cabelo.”

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