‘Quando o dono sai pela madrugada, não tem ninguém vigiando o veículo’


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Não há dados sobre quantas pessoas trabalham vigiando carros nas ruas. Há dois anos, a polícia fez um levantamento e cadastrou, numa só operação, perto de 36 pessoas, entre homens, mulheres e menores de idade, atuando como flanelinhas. Em julho de 2010, nova ação conduziu dez pessoas para a delegacia. Todos foram identificados e liberados. Em poucos minutos, estavam abordando motoristas novamente.

Os guardadores atuam nas proximidades de eventos, restaurantes, bares, igrejas e casas noturnas. Pagar pelo serviço não é uma opção. Motoristas, principalmente, mulheres e idosos, são vítimas de intimidação. Acabam pagando para não ter o veículo danificado. “Um grande evento no Castelinho, por exemplo, reúne em torno de dois mil carros nas proximidades. Os guardadores estipulam o preço em R$ 10 e o pagamento é à vista. Quando o dono sai pela madrugada, não tem ninguém vigiando o veículo”, afirma Adérmis.

A polícia alega não ter como fiscalizar todos os locais onde os flanelinhas agem e afirma que, se o indivíduo não estiver infringindo uma lei penal, não há o que se fazer. A Prefeitura chegou a cogitar a possibilidade de tentar regulamentar a atividade. A ideia era seguir exemplos adotados por outros municípios e montar um cadastro para fiscalizar e coibir os abusos praticados. A proposta nunca saiu do papel.

Autoridades de outras cidades estão se movimentando para tentar coibir a prática. Em abril, a Justiça acatou argumentos apresentados pelo Ministério Público, proibiu a ação de flanelinhas em Ribeirão Preto e incumbiu a prefeitura e o governo do Estado de coibir as atividades dos guardadores de carros. Segundo a decisão, as partes devem ser multadas em R$ 1 mil para cada flanelinha flagrado em ação. Houve recurso e, na prática mesmo, nada mudou.

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