“Moço, posso olhar o carro?” O pedido, muitas vezes, é uma forma indireta de extorsão. Se não pagar, são grandes as chances do veículo ser danificado. Em dias comuns, qualquer “trocado” é bem vindo. Mas, se for um show ou evento concorrido, o preço é estipulado pelo guardador. A taxa parte de R$ 10. O pagamento é à vista. Não há a menor garantia de segurança. A prática se espalha pela cidade, irrita os motoristas e desafia as autoridades. Um projeto em tramitação na Câmara Municipal pretende implantar regras para utilização do espaço público para estacionamento e, assim, tentar dar um basta nos abusos cometidos pelos flanelinhas.
A ideia foi apresentada pelo vereador Adérmis Marini (PSDB) e prevê a criação da Área Azul Social para estacionamento rotativo de veículos em vias públicas situadas no entorno dos locais destinados à realização de eventos com grande fluxo de público, como o Castelinho, Teatro Municipal e demais espaços onde são promovidos shows.
O sistema especial funcionaria a partir de duas horas antes do início e até duas horas após o término do evento em locais demarcados por decreto. A administração e exploração seriam outorgadas apenas a entidades filantrópicas e concedidas mediante contrato precedido de licitação. Ao invés do dinheiro ficar com o flanelinha, a intenção é que seja destinado para as instituições de cunho social.
Serviços semelhantes são feitos atualmente pela Esac (Escola de Aprendizagem e Cidadania), que controla a Área Azul no Centro e pela Associação das Entidades Assistenciais, que explora o estacionamento diante do Parque “Fernando Costa” durante a realização da Expoagro.
A partir do momento em que o município conceder a exploração de espaços próximos aos eventos para as entidades, o vereador espera disciplinar a cobrança de estacionamento e coibir a atuação dos flanelinhas.
Na opinião de Adérmis, o projeto reforçará o controle do estacionamento, impedindo que qualquer pessoa possa pedir dinheiro ou se oferecer para cuidar de veículos. “O serviço só poderá ser feito por pessoas ligadas às instituições e devidamente identificadas. O que temos hoje, são áreas públicas exploradas de forma irregular e imoral por pessoas, muitas vezes, de índole duvidosa, o que gera insegurança para a população.”
Segundo o vereador, a fiscalização para coibir a ação dos flanelinhas nos pontos demarcados seria feita pelas próprias entidades detentoras da concessão, pela Prefeitura e Polícia Militar.
AUDIÊNCIA PÚBLICA
O projeto deverá ser votado dentro de duas semanas. O vereador Adérmis Marini, que é escrivão de polícia, afirmou que o assunto precisa ser discutido pelos vereadores, polícia, Judiciário, Ministério Público e representantes da sociedade em geral para tentar minimizar um problema que afeta toda a população.
O vereador deverá realizar uma audiência pública com os setores envolvidos para buscar sugestões e melhorar o projeto. “Pretendo colocar o tema em debate: é justo você sair de casa para divertir com a família e ser obrigada a pagar para flanelinhas? São pessoas que não são sabemos quem são, de onde vieram e que praticam extorsão. Na minha opinião, isto é ilegal e imoral”.
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