Falta de traquejo


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Só se pode creditar à inexperiência política o posicionamento do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) diante da condenação do seu secretário de Urbanismo, Wilson Teixeira, por improbidade administrativa. Considerando ‘excelente’ o trabalho do auxiliar nos primeiros cinco meses de seu mandato, Ferreira deixa claro que só irá demiti-lo em último caso. Com isso, comprova que age mais como um administrador do que como um político. Porém, o cargo de prefeito exige um equilíbrio entre um e outro, para que situações como a presente não lhe causem maiores prejuízos daqui para diante.

Como o Comércio, a rádio Difusora e o Portal GCN divulgaram, o secretário de Urbanismo teve a condenação por improbidade administrativa confirmada pelo Tribunal de Justiça e os direitos políticos cassados. Apesar de uma lei municipal proibir que pessoas com condenação por órgão colegiado ocupem vagas por indicação política na Prefeitura, Alexandre fez elogios ao assessor e disse que aguardará parecer de sua procuradoria-jurídica para decidir o que fazer.

Casos semelhantes ocorridos ao longo da história política do País (envolvendo até o próprio Wilson Teixeira no primeiro mandato de Sidnei Rocha) demonstram que Alexandre Ferreira pode causar sérios danos à sua própria biografia caso insista na manutenção do secretário. Ocupando a mesma função na gestão de Sidnei, Teixeira ficou à frente da secretaria até meados de maio de 2007. Na época, ele foi afastado pelo prefeito depois de ser acusado pela promotoria de participar de um suposto esquema de fraude e superfaturamento na licitação do Córrego dos Bagres. Devido à investigação, Teixeira ficou quase cinco anos afastado da pasta. Sidnei o colocou na Secretaria de Urbanismo em abril de 2012, quando a então titular, Valéria Marson, se afastou para disputar eleição para vereadora.

Embora na época fosse um dos seus homens de confiança, Sidnei Rocha não titubeou ao afastá-lo da pasta, antes mesmo que houvesse uma acusação. Um caso completamente diferente do de agora, quando houve a confirmação da condenação de primeira instância. Diante do fato — gravíssimo, deve-se acrescentar —, Alexandre Ferreira não poderia titubear, inclusive no sentido de preservar não só o auxiliar, mas também a sua própria administração.

Em nível federal, Luiz Inácio Lula da Silva também não pensou duas vezes para apartar do governo — e até de seu convívio — os ex-ministros Antônio Palocci e José Dirceu, diante de denúncias graves. Palocci, inclusive, voltou a ser defenestrado pela sucessora de Lula, Dilma Rousseff, diante de evidências de enriquecimento ilícito. E assim tem que ser. Se o eleitor não aceita mais ver simples suspeitos desfrutando de prestígio na máquina administrativa, também não é condescendente com quem foi condenado. Por isso, Alexandre Ferreira está precisando de algumas aulas com o seu mentor, Sidnei Rocha, para que, no futuro, não mais titubeie diante de fatos que exigem decisões urgentes e políticas.

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