A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) encaminharam ontem manifesto aos ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e da Fazenda, Guido Mantega, no qual defendem uma ação conjunta entre os setores público e privado para conter a queda contínua da exportação de manufaturados e a perda de competitividade da empresa nacional exportadora.
Em 2006, a balança comercial de manufaturados registrava um superávit para o Brasil de US$ 5,147 bilhões. O cenário se inverteu para déficit a partir de 2007 (-US$ 9 bilhões), atingindo perda de US$ 94,136 bilhões, no ano passado. Este ano, até abril, as exportações brasileiras de manufaturados já mostram déficit de US$ 37 bilhões. E a projeção não é boa. Ela sinaliza que o déficit poderá alcançar US$ 110 bilhões até o final do ano.
De acordo com dados da AEB, o Brasil chegou a ter, no ano 2000, 59% de participação de manufaturados na pauta exportadora. Hoje, tem apenas 37%. Estimativa da entidade aponta que, se o País tivesse mantido em 2012 a mesma participação de manufaturados que apresentava em 2000, geraria agora 5,1 milhões de empregos. A AEB e a Fiergs defendem a redução imediata dos custos no país, para gerar aumento da competitividade das empresas, além de medidas referentes ao câmbio. Diminuição dos custos de pessoal e de logística foi citada como fundamental. Nos últimos anos, as empresas não têm preço competitivo para exportar, em função dos custos elevados. Além disso, se baixarem os preços, acabam tendo prejuízo.
Diante desta situação, Franca —cuja economia depende diretamente da indústria manufatureira de calçados — é uma das grandes prejudicadas, em razão da influência negativa na geração de empregos. Embora a indústria local viva uma situação satisfatória, poderia estar ainda bem melhor. O calçado francano já foi item importante na pauta de exportações e, hoje, precisa brigar até no mercado interno contra produtos de outros mercados — como a China e demais países asiáticos —, que têm um custo de produção mais baixo. Manobras como o envio do produto inacabado para outros centros onde o calçado é montado e exportado para o Brasil com impostos menores (a estratégia se estende para vários outros produtos) também prejudica a indústria calçadista do País.
É preciso que o governo trace uma política que contemple a indústria nacional, permitindo que a concorrência seja mais leal. Com certeza, não só a indústria calçadista mas também as de outros setores seriam imensamente beneficiadas e teriam condições de promover a verdadeira revolução econômica, criando empregos e tirando milhões de pessoas da dependência das políticas assistenciais oficiais. Com isso, o dinheiro aplicado em programas como Bolsa Família seria direcionado para a Saúde e a Educação, que estão a merecer uma melhor atenção por parte do governo brasileiro.
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