Uma fiscalização feita pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), entre fevereiro e abril deste ano, apontou que o pronto-socorro da Santa Casa de Franca têm problemas que oferecem riscos à saúde da população e não proporciona aos médicos as condições adequadas de trabalho. As falhas foram identificadas nos serviços de urgência e emergência em um levantamento realizado em 71 grandes prontos-socorros que atendem pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no Estado de São Paulo. Na macrorregião, além de Franca, PSs de Ribeirão Preto e Barretos também foram avaliados.
Segundo o levantamento, o PS da Santa Casa apresentou problemas em cinco dos nove itens vistoriados. Foram constatados ausência de chefia de plantão e de médicos diaristas para acompanhamento da evolução do paciente, falta de materiais necessários para atendimentos de risco e sala de emergência inadequada. O Conselho também identificou a falta de triagem dos pacientes para classificação de risco. De acordo com o relatório final, todas as falhas foram identificadas no momento da inspeção feita por médicos do departamento de fiscalização do Cremesp.
“Esse trabalho visa a ver as condições de atendimento para o paciente e as condições mínimas e adequadas para atuação dos médicos. A ideia é que esse levantamento sirva de embasamento para os gestores e órgãos responsáveis, como o Ministério Público, e as Secretarias de Saúde estadual e municipal façam as melhorias necessárias”, disse o conselheiro do Cremesp, Lavínio Nilton Camarim.
O médico conselheiro ressaltou que a intenção do estudo não foi ranquear os prontos-socorros e, sim, apontar as dificuldades para que possam ser solucionadas. “A Santa Casa de Franca tem melhorado, mas precisa avançar mais. Sabemos de todas as dificuldades, mas não o hospital não pode deixar de fazer as adequações, de profissionalizar sua gestão e capacitar os profissionais.”
Entre os itens avaliados que o PS da Santa Casa não apresentou falhas estão lotação (presença de macas nos corredores), falta de UTI e ausência de equipe médica com o mínimo de especialistas.
Procurada, a Santa Casa de Franca informou que a instituição só teve conhecimento do levantamento na terça-feira, após conferência do documento no site do Conselho. “A pesquisa foi levada às nossas diretorias técnica e clínica que farão o levantamento dos principais problemas apontados. Após este estudo, um parecer será elaborado para divulgação à imprensa”, comunicou a assessoria do hospital.
Os prontos-socorros fiscalizados foram selecionados pelo porte e importância. Pesou também na escolha o fato de estarem em cidades onde existem delegacias do Cremesp e de já terem sido motivo de denúncias e inspeções requisitadas pelo Conselho e pelo Ministério Público.
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