A fórmula


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Qual a importância de Deus para o ser humano? Muitos podem afirmar que Deus não existe, e que ele é uma criação do homem para dar conta de suas angústias, tristezas, infelicidades, etc. Só o procuramos em momentos de dificuldades. Quando tudo está bem o esquecemos.

Ouso discordar, mesmo conhecendo diversos fundamentos, inclusive científicos, que são ‘capazes’ de ‘racionalmente’, ‘aniquilar’ a existência dele. Pretendo uma uma análise reflexiva. Acreditar em um ser superior, que é divino, é extraordinário, ajuda o ser humano a ter uma forma, forma de gente dotada de sentimentos que dignificam a pessoa humana.

Quando se acredita em algo que é supremo, eterno, divino, isso nos permite levar a vida adiante, ter esperança, enfrentar adversidades, e, em tudo agradecer, pois tudo concorre para o bem daqueles que amam. Acredito que só é capaz de amar quem realmente acredita em Deus. Não sei se há amor fora dele. Acredito que haja só interesse!

Nós somos egocêntricos e gostamos que tudo e todos estejam ao nosso redor, nos admirando. Sentimos necessidade de ser o centro das atenções, e somos capazes de fazer coisas impensáveis para ter e reter os olhares. Vivemos muito o ‘Eu’ e quando passamos a acreditar no divino e na sua sabedoria, Deus começa a despertar em nós, e passa a ser o centro das atenções, a ser o admirado, e nós, seus admiradores. Todas as conquistas e derrotas são partilhadas com Ele.

Reflexiva é a afirmação de Rômulo Quiroga: ‘O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo. Isto seja: Deus deu a forma. Os artistas desformam. É preciso desformar o mundo: Tirar da natureza as naturalidades’. Lendo, podemos pensar que Deus deve ser afastado do ser humano. Proponho pensar de outra forma. O mundo pode ser visto além da visão externa, mas com a visão interna, que nos leva a reflexões profundas que, muitas vezes, não gostamos. O ser humano integra a natureza e acreditar no divino faz parte da sua naturalidade. Apagar Deus, penso eu, é o mesmo que apagar a própria existência e a essência. Acredito que podemos trasnver Deus através da nossa imaginação, considerando o que vemos e as lembranças que revemos.

Quantas vezes somos incompreendidos? Com quem conversar nessas horas? Quando conversamos, ouvimos ‘conselhos’ que pouco ajudam. Ao saber da existência do divino, do supremo, do extraordinário, temos sempre a possibilidade de encontrar alguém que nunca desampara, nunca acusa, nunca julga e sempre acredita na forma do amor, do impossível, da eternidade, da felicidade. Somos artistas da nossa própria vida, e, por vezes, a ‘desformamos’, vivendo apenas no ‘Eu’, e uma das possibilidades, queiram ou não, para reencontrar a ‘forma’, é DEUS. Viver ‘conforme’ a vontade de Deus é uma bela forma de ser feliz. Estamos vivendo sem a forma divina? Quantas pessoas atualmente falam de Deus? Quantos pais, hoje, abençoam seus filhos? Quantos filhos estão ou foram iniciados em alguma fé que lhes permitam acreditar no divino, no extraordinário?

Ser e estar na forma de Deus nos permite reconhecer que o ser humano é finito, falível, fraco; portanto, necessitamos da formação, da formatação e da fórmula que é Deus.

Acir de Matos Gomes
Advogada, professor universitário

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