O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), mais uma vez, sofreu uma grande derrota na Câmara Municipal de Franca. Desta feita, o veto aposto ao projeto que implanta o plano de cargos e salários dos servidores do Legislativo foi derrubado por ampla margem. Assim como ocorre desde a sua posse à frente do Executivo municipal, não mensurou ainda a necessidade de dar prioridade à articulação de seu governo com os vereadores. Foram dez votos para derrotar a intenção do prefeito, na Casa onde o Executivo conta com ampla maioria.
Aliás, na mesma sessão foram duas derrotas: além de ter o veto derrubado, Alexandre Ferreira ainda teve de ver a CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta para apurar supostas irregularidades na construção do viaduto ‘Dona Quita’ ser prorrogada por mais 45 dias. A sua inexperiência política ficou clara nas intensas negociações que travou com os vereadores. Ele apontou como empecilho à aprovação do plano de cargos e salários do Legislativo a inconstitucionalidade da matéria, mas citava um artigo da Constituição brasileira que fora alterado há 15 anos. Simplesmente não existe mais.
Em razão da fraca capacidade de articulação, Alexandre sofre aqui em Franca as dificuldades por que passa a presidente Dilma Rousseff: ‘rebeliões’ frequentes dos partidos da base de sustentação do Congresso tornam a sua tarefa mais difícil. Tanto aqui como lá, Alexandre e Dilma tornam-se reféns da base e não conseguem impedir o ‘fogo amigo’ que dificulta as duas gestões.
Mesmo contando com maioria absoluta nos respectivos Legislativos, o prefeito de Franca e a presidente do Brasil ainda precisam fazer concessões, negociações e afagos para não ter a governabilidade prejudicada. A inexperiência política de Alexandre Ferreira aparece não apenas no caso das derrotas na Câmara. Neste ponto, o recente episódio da Expoagro é exemplar. Ao ignorar que a feira agropecuária já se tornou uma opção de lazer para o francano com os seus shows populares, protagonizou uma cena triste diante da falta de público para apreciar o FestCultura, criado às pressas para substituir os aguardados espetáculos musicais. Quando a banda Titãs conseguiu levar os espectadores que ignoraram as atrações locais — atração que fazia parte da Virada Cultural, uma promoção do governo do Estado —, o prefeito ficou sem argumentos.
Hoje, mais do que nunca, o gestor público precisa ter uma grande sensibilidade para ouvir as reivindicações de seu povo, buscando lhe dar voz e corresponder aos seus anseios. A falta de articulação, de traquejo político e de experiência fatalmente pode proporcionar um isolamento que não será benéfico a ninguém.
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