Policial militar traça raio-x das mortes no trânsito


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Nissan com as rodas para cima em cruzamento das ruas Frederico Moura com Prudente de Morais, próximo à Prefeitura, ontem, na hora do almoço. Motorista foi retirada do veículo capotado bastante assustada, mas sem ferimentos após colisão com um Agile
Nissan com as rodas para cima em cruzamento das ruas Frederico Moura com Prudente de Morais, próximo à Prefeitura, ontem, na hora do almoço. Motorista foi retirada do veículo capotado bastante assustada, mas sem ferimentos após colisão com um Agile

Das 66 pessoas que morreram em acidentes de trânsito em Franca - área urbana e estradas vicinais -, a maioria é composta por homens com idade entre 18 e 30 anos e que no momento das colisões estavam dirigindo carros, regularmente habilitados. Dirigir entre 18 horas e meia noite é mais perigoso, pois a maioria dos desastres ocorrem neste período.

O “raio-x” descrito acima é resultado de minucioso estudo realizado pelo capitão Marcus Alexandre Moraes de Araújo, comandante da Companhia de Força Tática do 15º Batalhão da Polícia Militar de Franca, e está baseado em levantamentos da própria Corporação, do Ministério da Saúde e do Dpvat (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre).

O estudo foi preparado pelo policial durante dez meses de pesquisa para a conclusão do curso de pós-graduação de ciências policiais em segurança e ordem pública no Centro de Altos Estudos de Segurança da PM. A dissertação foi apresentada no fim de março e tornou-se pública na noite de quarta-feira, 22, em reunião para o desenvolvimento do Plano Municipal de Segurança no Trânsito, realizada na Câmara.

Segundo o levantamento feito por Araújo, num intervalo de três anos foram 95 acidentes fatais no trânsito de Franca, com 216 pessoas mortas. O ano que registrou o pior índice foi 2010, com 37 acidentes fatais e 83 vítimas. No ano passado, 66 pessoas (59 homens e 7 mulheres) morreram em 31 sinistros. Entre as causas apontadas no estudo estão a falta de cinto de segurança; não uso do capacete; alta velocidade; imprudência, e o consumo de bebidas alcoólicas.

Os dados de mortes e vítimas em acidentes são contabilizados pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), pelo Ministério da Saúde e por registros no Dpvat. Para Araújo, nenhum deles é confiável. “O Denatran baseia-se nos boletins da PM, mas quando a pessoa morre no hospital dias depois o dado não aparece. Na Saúde é um pouco mais completo, mas muitas pessoas que sofrem pequenas lesões não são atendidas. No Dpvat pode haver fraude e pessoas que não requerem”, disse o capitão.

MAPEAMENTO
Uma das eventuais soluções para reduzir o número de acidentes na cidade, segundo o oficial da PM, é identificar os pontos críticos. No ano passado, a avenida Dr. Ismael Alonso y Alonso foi palco de 292 acidentes, sendo 79 com vítimas e 213 sem feridos. Na sequência do ranking, aparecem as avenidas Hélio Palermo (220 acidentes); Adhemar Pereira de Barros (154); Major Nicácio (147) e Brasil (140).

Baseada nos levantamentos, a PM direcionou as operações de trânsito neste ano tomando o cuidado de atender coibir os excessos nestas vias. “Conseguimos reverter os números com uma fiscalização maior na Alonso y Alonso. Ela caiu para a 3ª colocação, mas houve crescimento nas outras”, explica Araújo.

Baseado em seu estudo, ele sugere reforço na fiscalização com a instalação de radares fixos nestas vias. Isso para que os policiais que operam os móveis possam ser empenhados no trabalho. Araújo ainda cita semáforos monitorados; lombadas eletrônicas - dispositivo que controla a velocidade - e campanhas de educação no trânsito, começando desde o ensino infantil, para tentar conscientizar a população sobre a necessidade de se respeitar as leis de trânsito. 


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