Embora a presidente Dilma Rousseff venha se empenhando, nas últimas semanas, em celebrar a realização das Copas das Confederações (que começa no dia 15 de junho) e do Mundo (no ano que vem), as últimas notícias envolvendo os estádios (as chamadas arenas) que vão abrigar as partidas são preocupantes. Não há pelo menos um que esteja completamente pronto e isso se viu no final de semana, com o jogo-teste entre Santos e Flamengo no ‘Mané Garrincha’, em Brasília, onde houve tumultos no acesso dos torcedores, principalmente. Além disso, um dos 36 painéis da membrana de cobertura da Arena Fonte Nova (considerada concluída), em Salvador (BA), rompeu-se em razão da forte chuva.
Nos demais estádios multiplicam-se os problemas. O maior deles, que vai doer no bolso dos brasileiros (a maioria conta com financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento e Social, o BNDES), é o superfaturamento. Todos exigiram mais dinheiro, mas ainda não estão inteiramente prontos. No Maracanã, o mais famoso estádio brasileiro - a obra atual consumiu mais de R$ 1 bilhão de dinheiro público —, operários ainda trabalhavam ontem em alguns detalhes de seu interior e sofriam com uma verdadeira cratera surgida na rua de acesso ao estádio. As obras de entorno, exigidas pela Fifa, seguem em ritmo lento. Tudo vai se repetindo Brasil afora: a Arena do Corinthians, em São Paulo — designada para a abertura da Copa do Mundo —, continua com obras paradas, por falta de dinheiro (o BNDES se recusa a liberar). Este é mais um exemplo da incapacidade do país em cumprir prazos e orçamentos.
Em boa parte, os problemas não estão nas arenas, mas imediatamente ao seu redor: como todos os esforços foram concentrados na missão de erguer os estádios, faltou tempo e planejamento para melhorar o acesso aos locais de jogos e os próprios arredores. E agora começa uma corrida contra o tempo, contando com o beneplácito da Fifa, que está estendendo os prazos além do previsto inicialmente. Mas há quem garanta que muita coisa estará por fazer às vésperas da Copa do Mundo, daqui a um ano, e a realização dos jogos poderá apresentar erros, falhas e contratempos que nem o jeitinho brasileiro conseguirá evitar.
No final das contas, ficam algumas perguntas: será que o Brasil tem capacidade para organizar duas competições de tal vulto? Era hora de realizar Copa do Mundo e Olimpíadas por aqui? Tudo isso será realmente benéfico para o País? Pelo que estamos verificando nos últimos tempos, tivesse o dinheiro público — a parte que entrou na ‘adequação’ dos estádios e a que escorreu pelo ralo dos ‘aditivos’ (nada mais do que o conhecido superfaturamento) — aplicado em saúde, educação e auxílio a regiões brasileiras que sofreram com chuvas e com a seca nos primeiros meses do ano, seria de maior benefício à população brasileira. O que fica é a sensação de que a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos são jogadas de marketing político que vão ser usadas largamente nas eleições do ano que vem. É só aguardar...
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.